A Justiça do Rio Grande do Sul determinou que três adolescentes, dois meninos de 14 e 15 anos e uma menina de 13, sejam internados por até três anos como parte de uma medida socioeducativa. A decisão foi proferida pelo Juizado da Infância e Juventude de Caxias do Sul, após o grupo ter sido identificado como responsável por um ataque a facadas contra uma professora em uma escola municipal da cidade.
O incidente ocorreu no dia 1º de abril de 2025, quando a professora, que optou por não ser identificada, foi atacada dentro da sala de aula e sofreu ferimentos na cabeça, nas costas e no pescoço. A investigação feita pela Polícia Civil apontou que os adolescentes planejaram o ataque por meio das redes sociais e trouxeram cinco facas para a escola.
O ataque foi classificado como ato infracional análogo ao crime de tentativa de homicídio. Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a internação pode durar até três anos, sendo reavaliada a cada seis meses para possíveis alternativas, como semiliberdade ou serviços externos, caso se verifique a eficácia da medida.
O advogado da professora afirmou que a mulher ficou aliviada com a decisão judicial, embora não completamente satisfeita, e destacou a preocupação com as falhas na segurança escolar. Ela não tem previsão para retornar ao trabalho, e sua defesa indicou que outras responsabilidades ainda precisam ser apuradas.
A decisão judicial ocorreu dentro do prazo legal de 45 dias, e os adolescentes estão sendo transferidos para unidades adequadas, já que a cidade não possui vagas disponíveis. Os meninos foram levados para o Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) de Novo Hamburgo, enquanto a menina será internada no Case Feminino, em Porto Alegre, única unidade de internação feminina no estado.
Além disso, a análise das motivações para o ataque revelou uma insatisfação geral dos alunos com a escola e com o corpo docente, e não um direcionamento específico à professora agredida. O juiz de Direito Sílvio Viezzer reafirmou que a autoria dos adolescentes foi comprovada e que não há fatores que atenuem sua responsabilidade.
O episódio gerou forte repercussão na comunidade escolar e reacendeu o debate sobre a segurança nas escolas, colocando em evidência a necessidade de medidas mais rigorosas e protocolos preventivos efetivos no ambiente educacional.