Porto Alegre, 30 de agosto de 2025 — O escritor Luís Fernando Verissimo morreu na madrugada deste sábado, aos 88 anos, em Porto Alegre, após complicações provocadas por uma pneumonia. A morte ocorreu na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Moinhos de Vento, onde o cronista estava internado desde o dia 11 de agosto, em estado grave. Nos últimos anos, Verissimo enfrentava problemas de saúde como Parkinson e complicações cardíacas, e em 2021 sofreu um AVC que deixou sequelas motoras e de comunicação. A informação marca o fim de uma trajetória que atravessou literatura, jornalismo e televisão com grande influência no humor brasileiro.
Quem foi Luis Fernando Verissimo Nascido em 26 de setembro de 1936, na capital gaúcha, Verissimo era filho de Mafalda Halfen Volpe e do renomado escritor Érico Lopes Verissimo. Ao longo da vida, construiu uma obra expressiva, publicando mais de 70 livros e vendendo cerca de 5,6 milhões de exemplares. Além de seus livros, assinou colunas em veículos de grande expressão como O Estado de S. Paulo, O Globo e Zero Hora, contribuindo para o debate público com seu estilo ácido, afiado e bem-humorado.
Verissimo deixou a parceria com a vida ao lado de Lúcia Helena Massa, com quem foi casado por mais de cinquenta anos. Deixa também três filhos — Fernanda, Mariana e Pedro — e dois netos. Embora o momento seja de luto para a família, o legado do escritor permanece vivo nos textos, nas crônicas e na memória cultural de leitores de várias gerações.
Do papel para a TV: o alcance de uma voz singular
Ao longo de sua carreira, Verissimo teve uma participação marcante na televisão brasileira, contribuindo para o humor de várias gerações. Muitas séries da TV Globo foram inspiradas por seus trabalhos, entre elas Ed Mort – Nunca Houve Uma Mulher Como Gilda e A Comédia da Vida Privada. Na década de 1980, ele atuou como um dos roteiristas do programa humorístico TV Pirata, contribuindo para a renovação do humor televisivo no país.
Em 1993, Verissimo passou a assinar uma videocharge sobre temas políticos e econômicos. Nessa iniciativa, ele enviava desenhos em forma de tiras de quadrinhos à Rede Globo, acompanhados de textos e indicações de movimentos. A produção envolvia uma equipe de computação gráfica no Rio de Janeiro, a animação no Rio, a sonorização em São Paulo e a formação de uma equipe de jornalismo fictícia, com personagens que entrevistavam questões como inflação ou o famoso travesseiro do então presidente Itamar Franco. As charges iam ao ar conforme o espaço no telejornal permitia, integrando o noticiário com o humor crítico característico de Verissimo.