O rebaixamento do Fortaleza e seus desdobramentos
A tarde de 7 de dezembro de 2025 será lembrada de forma negativa pelos torcedores do Fortaleza. A derrota por 4 a 2 para o Botafogo no Estádio Nilton Santos, na última rodada do Campeonato Brasileiro, selou a queda do clube para a Série B de 2026, interrompendo um histórico ciclo de 19 anos sem rebaixamentos.
O contraste com o passado recente é marcante. Em outubro de 2023, o Fortaleza viveu um momento histórico ao alcançar pela primeira vez a final da Copa Sul-Americana, em um duelo contra a LDU. Naquela ocasião, o time do técnico Juan Pablo Vojvoda teve a chance de conquistar o título, mas acabou perdendo nos pênaltis, estabelecendo uma imagem de um clube organizado e em ascensão.
Apesar do sucesso recente, o que se viu em 2025 foi um nítido retrocesso, resultado de erros de planejamento e gestão que culminaram no rebaixamento.
Principais erros que levaram ao rebaixamento
- 1. Planejamento 2025: foco errado no investimento
No papel, a temporada de 2025 era para ser um marco na consolidação do Fortaleza como um concorrente regular na Libertadores e nas partes superiores da tabela do Brasileirão. Com um orçamento recorde de R$ 387 milhões, esperava-se robustez nas contratações, mas o planejamento falhou em diversas frentes, resultando em um elenco mais caro, mas menos competitivo.
- 2. A aposta equivocada em Renato Paiva
A saída de Juan Pablo Vojvoda acendeu um alerta na diretoria, que escolheu o português Renato Paiva como seu sucessor. Contudo, a falta de resultados foi exorbitante: em 10 partidas, Paiva conseguiu apenas uma vitória, deixando o Fortaleza na vice-lanterna do campeonato. Sua demissão em setembro foi uma consequência natural da má gestão por parte da diretoria.
- 3. Elenco dispendioso, desempenho insatisfatório
À medida que o orçamento aumentava, o rendimento em campo caía. O Fortaleza finalizou 2025 como um dos times com o maior número de derrotas na Série A, o que reflete a falta de equilíbrio no elenco e a ausência de lideranças em momentos decisivos, algo que anteriormente era compensado por um modelo de jogo bem estruturado.
- 4. Instabilidade nos bastidores
O rebaixamento também expôs fissuras políticas e operacionais na gestão do futebol. A saída do executivo de futebol Bruno Costa em abril de 2025 contribuiu para a sensação de desorganização e inconsistência na abordagem do clube em relação ao seu planejamento.
- 5. Reestruturação em crise: o que vem a seguir?
A queda para a Série B representa tanto um ponto de ruptura quanto uma oportunidade de correções. Em 2026, o Fortaleza terá que decidir se irá utilizar o rebaixamento como um novo começo, reanalisando suas estratégias e resgatando a essência que o tornou competitivo nos últimos anos.
O futuro do Fortaleza no futebol brasileiro se apresenta desafiador, mas as lições do passado podem ser fundamentais para sua recuperação e reabilitação na próxima temporada.