São Paulo abre sindicâncias para apurar caso de camarote citado em áudio de diretores
O São Paulo Futebol Clube tomou a decisão de abrir duas sindicâncias nesta segunda-feira, uma interna e outra externa, com o objetivo de investigar um possível esquema de venda ilegal de camarotes durante eventos no Morumbi.
Essa medida foi provocada por um áudio que revelou um diálogo entre os diretores Douglas Schwartzmann e Mara Casares. No material, os diretores discutem a utilização irregular de um camarote durante o show da cantora Shakira, trazendo à tona preocupações sobre a ética na administração do clube.
Segundo o superintendente geral, Marcio Carlomagno, que também foi mencionado na gravação, a investigação se faz necessária para esclarecer os fatos e entender o que realmente ocorreu. Ele enfatizou a importância de uma auditoria independente para garantir que a apuração seja feita de forma transparente e com imparcialidade.
"Estou dentro de uma citação, talvez como ferramenta de pressão que eles utilizaram, não sei o porquê. Hoje de manhã pedi para que fosse instaurada uma sindicância, interna e externa. Na qual eu também serei ouvido", comentou Carlomagno.
A sindicância interna foi seguida de um procedimento tanto do setor de Compliance quanto do Jurídico do clube. O resultado das investigações deve ser relatado em até 30 dias, e a expectativa é que incluam sugestões de possíveis punições e esclareçam a real situação envolvendo os diretores e a comercialização do camarote.
O camarote em questão é o 3A, localizado na parte leste do estádio, que foi usado para a venda de ingressos que chegaram a custar até R$ 2,1 mil. A expectativa é que o faturamento total em um evento chegasse a R$ 132 mil.
Durante a conversa, Douglas Schwartzmann admitiu que tanto ele quanto outros diretores ganharam dinheiro com a venda dos ingressos, e mencionou que a utilização do camarote por Mara Casares foi autorizada por Marcio Carlomagno. Essa declaração levanta questionamentos sobre a responsabilidade dos diretores envolvidos e a possível conivência da gestão do clube.
"Eu não tenho camarote lá. Veio de quem? Como é que faz no clube a hora que souber que ela te deu um camarote para explorar? Você vai acabar com a vida da Mara dentro do clube", disse Schwartzmann.
A revelação do esquema e a formalização do pedido de licença dos diretores ocorreram logo após a reportagem do ge, que teve acesso ao áudio e trouxe à tona as implicações éticas e legais do abuso de poder no uso de propriedades do clube. O próximo passo do São Paulo será acompanhar de perto as investigações e garantir a transparência em todo o processo.