NASA deve intensificar protocolos após críticas sobre o Starliner
No último mês, o painel de segurança responsável por avaliar a condução da NASA em relação ao programa Starliner trouxe à tona questões sérias sobre a maneira como a agência lidou com incidentes durante as missões. A crítica se intensificou após a descoberta de que a NASA não declarou formalmente um problema significativo que afetou a segurança dos astronautas durante um voo.
Durante a primeira missão com tripulação do Starliner, que aconteceu em junho de 2024, os astronautas Butch Wilmore e Suni Williams enfrentaram uma série de problemas. Eles deveriam passar apenas algumas semanas na Estação Espacial Internacional (ISS), mas a situação os manteve em órbita por nove meses, uma decisão tomada por oficiais da NASA que viram riscos altos ao tentar devolvê-los à Terra com o módulo da Boeing.
De acordo com Charlie Precourt, membro do painel de segurança, a falta de clareza em relação aos incidentes, que incluiu problemas com os propulsores do Starliner e vazamentos de hélio, acabou criando um ambiente tenso entre a equipe. “Houve um período de incerteza onde não estava claro se o veículo e a tripulação estavam seguros”, afirmou Precourt.
Os problemas não estavam apenas na superfície. Mesmo quando os gerentes da NASA e Boeing afirmaram que o Starliner era seguro para o retorno, muitos engenheiros e funcionários expressaram preocupações sobre as reais condições da cápsula, cujo primeiro teste com tripulação voltou a ser cercado por polêmicas e incertezas.
O painel de segurança recomendou que a NASA iniciasse uma revisão de seus critérios de avaliação para declarações de incidentes, para que não haja mais ambiguidades que possam comprometer a segurança da tripulação e do equipamento. “É essencial que incidentes que possam impactar a segurança sejam declarados imediatamente, para que investigações adequadas possam ser iniciadas e os resultados sejam mais eficazes”, disse Mark Sirangelo, membro do painel.
Os debates sobre segurança não são novos para a NASA. Em 2019, a agência também declarou um ‘close call’ após o primeiro teste não tripulado do Starliner, que não conseguiu atingir a ISS. Tal designação é particularmente relevante pois abre espaço para uma investigação detalhada e documentada, que permite aprender com os erros e melhorar os protocolos para futuras missões.
A falta de uma declaração formal neste novo incidente sobre a missão do Starliner gerou confusão e incerteza dentro da NASA e entre seus parceiros. Apesar de um funcionário ter declarado a intenção de continuar o uso do Starliner, muitos estavam na expectativa de que a segurança fosse reavaliada antes de uma nova missão tripulada.
“A comunicação falha e a falta de uma abordagem clara se mostraram problemáticas no processo de tomada de decisão, impactando a moral da equipe e a confiança no programa”, destacou Precourt. A próxima missão do Starliner deve ser uma viagem somente com carga à ISS, enquanto novas diretrizes são discutidas para que a segurança seja prioridade em todas as futuras operações.
A reflexão sobre o ocorrido é clara: enquanto o mundo se prepara para novas missões espaciais, a necessidade de protocolos rígidos e transparentes se torna cada vez mais essencial. É fundamental que a segurança não seja apenas um ponto em um documento, mas uma prática vivida a cada dia pelos profissionais da NASA.