Investigação revela irregularidades de ex-diretor do São Paulo
A Polícia Civil está em meio a uma investigação que envolve Nelson Marques Ferreira, ex-diretor adjunto de futebol do São Paulo Futebol Clube, e o atual presidente, Julio Casares, ambos suspeitos de envolvimento em um esquema de abertura de 15 empresas durante o período em que Ferreira ocupou seu cargo, de 2021 até novembro do ano passado.
O escândalo veio à tona a partir de uma denúncia recebida pelos Correios, que indicava a existência de desvios estruturados no clube e a criação de empresas de forma oculta. A denúncia gerou um inquérito policial que revelou além das empresas, a movimentação atípica nas contas de Casares, evidenciando um possível desvio de dinheiro das contas bancárias do São Paulo.
De acordo com Tiago Fernando Correia, delegado responsável pelas investigações, a partir da denúncia foi possível verificar a autenticidade das alegações, confirmando que havia relação entre os dirigentes e empresas ligadas a agenciamento de jogadores, que teriam estabelecido operações com franquias em shopping centers. "Os dirigentes citados teriam criado ou constituído franquias de maneira oculta", afirmou Correia.
O inquérito não apenas sugere a criação de empresas, mas também investiga aproximadamente 35 saques em dinheiro que somam um total de R$ 11 milhões, realizados no período de 2021 a 2025. Segundo o delegado, é essencial entender o destino deste dinheiro, uma vez que o São Paulo é tratado como uma vítima na investigação.
A defesa de Julio Casares refutou qualquer vínculo entre os saques do clube e as movimentações de sua conta pessoal. O advogado Bruno Borragini enfatizou que "não há anexo de causalidade" entre os saques do São Paulo e a conta de Casares, sugerindo que os depósitos efetuados por ele seriam resultado de sua atuação na iniciativa privada antes de assumir a presidência do clube.
No entanto, os conselheiros do São Paulo já começaram a se mobilizar contra Casares, protocolando um requerimento de impeachment que conta com 57 assinaturas. A votação deste processo está marcada para a próxima sexta-feira, às 18h30, no Estádio do Morumbi, evidenciando a crise política aguda que vem se desenhando no clube paulista.
Além do impeachment, a investigação sobre as contas do São Paulo e de Casares revela a descoberta de um sistema de venda ilegal de ingressos, relacionado ao uso clandestino de um camarote durante eventos, o que agravou ainda mais a situação do presidente, que já enfrenta desgaste entre os conselheiros.
Portanto, o futuro administrativo do São Paulo Futebol Clube pode ser profundamente impactado por essas investigações. À medida que novas informações surgem, a pressão sobre os diretores do clube e sobre seu presidente se intensifica, indicando um momento crítico na história do clube.