Investigação sobre Júlio Casares revela desvios financeiros
O presidente do São Paulo, Júlio Casares, tornou-se alvo de investigação da Polícia Civil após surgirem suspeitas de desvios financeiros que envolvem o clube. Recentemente, o programa Fantástico, da TV Globo, divulgou relatos que motivaram questionamentos sobre um possível processo de impeachment contra Casares.
A polêmica começou a ganhar força quando relatórios indicaram saques multimilionários em dinheiro vivo realizados entre 2021 e 2025, levantando questões sobre os reais motivos dessas movimentações. De acordo com as investigações, evidências de associação criminosa, apropriação indébita e furto qualificado estão sendo analisadas.
A apuração teve início a partir de uma denúncia anônima que relatou desvios estruturados e sistemáticos no São Paulo Futebol Clube. Um dos principais nomes citados nesse contexto é o de Nelson Marques Ferreira, ex-diretor adjunto do clube entre 2021 e novembro de 2025. Segundo o inquérito, Ferreira estabeleceu cerca de 15 franquias em shopping centers entre 2022 e 2023, o que ampliou os indícios sobre a necessidade de uma investigação mais detalhada.
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) foi acionado e enviou à polícia informações sobre movimentações financeiras do clube. O COAF descobriu que, entre 2021 e 2025, foram realizados cerca de 35 saques em dinheiro, totalizando aproximadamente R$ 11 milhões, com os dois primeiros saques, que somam R$ 600 mil, supostamente efetuados por um ex-funcionário.
A partir de um certo ponto, o clube começou a contratar carros-fortes para transportes de valores, facilitando a complicação do rastreio do dinheiro. Foram documentadas 33 operações com empresas de transporte de valores, sendo 2024 o ano com maior movimentação, com 11 saques totalizando R$ 5,2 milhões e, em 2025, já foram identificados R$ 1,7 milhão em cinco operações.
O delegado que acompanha o caso afirmou que a investigação busca esclarecer a finalidade dos valores em questão e identificar os destinatários desse dinheiro.
Depósitos na conta de Júlio Casares
Uma análise também foi feita em uma conta conjunta entre Júlio Casares e sua ex-esposa, Mara Casares. O relatório do COAF revelou que o presidente recebeu cerca de R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro vivo entre janeiro de 2023 e maio de 2025, muitos destes valores foram depositados em quantias abaixo de R$ 49 mil e em algumas ocasiões chegaram a ocorrer até 12 operações no mesmo dia.
Embora análises apontem para a ausência de vínculos diretos entre os saques do clube e os depósitos na conta pessoal de Casares, a defesa do presidente afirma que os valores provenham de sua carreira como publicitário na iniciativa privada, destacando que os depósitos teriam sido feitos após ele acumular quantias em espécie antes de assumir a presidência do clube.
Segundo o advogado de Casares, "esses depósitos são do Júlio para o Júlio", afirmando que a origem é lícita e que será comprovada durante o inquérito. A defesa reitera que a prioridade do presidente é a total apuração dos fatos.
Caso do camarote e gravações mencionadas
Outro elemento da investigação remete a um episódio ocorrendo em outubro do ano passado, quando Mara Casares deixou o cargo de diretora de eventos após uma denúncia envolvendo comercialização clandestina de camarotes em shows realizados no estádio do clube. Um áudio que vazou, do ex-diretor Douglas Schrzman, revela uma conversa que menciona Mara Casares, onde é indicado que a confiança no envolvimento de um terceiro membro na conversa gerou lucro para todas as partes envolvidas.
A defesa de Mara alega que o áudio foi divulgado fora de contexto e que ela vem enfrentando ataques nas redes sociais. Por outro lado, a defesa de Schrzman revelou estar sendo alvo de uma campanha difamatória, pautada em trechos de conversas que teriam sido selecionados de maneira tendenciosa.
Até o momento, Nelson Marques Ferreira não respondeu ao pedido de entrevistas por parte da reportagem acerca das franquias adotadas.
Posicionamento do São Paulo
O advogado do São Paulo Futebol Clube enfatizou que o clube não está sendo investigado. Ele argumentou que os pagamentos em dinheiro são uma prática comum no dia a dia do clube, como os pagamentos de arbitragem nos dias de jogos e premiações por vitórias, denominadas “bicho”. O advogado ainda alegou que os R$ 11 milhões em questão pertencem ao clube e estão de acordo com a contabilidade, apresentando utilização e datas específicas.