Exoneração de profissionais da saúde em caso de erro médico em MG
A Prefeitura de João Pinheiro, localizada no Noroeste de Minas Gerais, anunciou a exoneração de um médico e de um instrumentador cirúrgico envolvidos na cirurgia de Manoel Cardoso de Brito, um idoso de 68 anos que faleceu após a negligência de deixar uma pinça cirúrgica dentro de seu corpo. O trágico incidente ocorreu em véspera de Natal, e a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) foi instaurada para investigar as possíveis falhas na gestão de saúde do município. A medida foi publicada em nota no dia 12 de janeiro.
De acordo com as informações divulgadas, Manoel passou por uma cirurgia de urgência no dia 5 de dezembro, devido a uma úlcera gástrica. Após o procedimento, o paciente foi transferido para a UTI, mas começou a apresentar sinais de complicações. Durante uma visita, seu filho, Samuel Cardoso, notou que o pai estava com dificuldades para se alimentar e apresentava sonolência excessiva. O que se seguiu foi desastroso: em uma nova cirurgia, a equipe médica encontrou a pinça que havia sido deixada durante o primeiro procedimento.
O advogado da família, Iuri Evangelista Furtado, expressou que a instauração da CPI traz esperanças de que a verdade seja descoberta. Ele afirmou:
“A família do senhor Manuel recebe com gratidão a notícia de que os vereadores irão instaurar uma CPI para apurar todas as circunstâncias que envolvem a morte dele após um grave erro médico no Hospital Municipal.”
A ex-secretária municipal de Saúde, Cássia Maria Alves Trajano, também teve sua exoneração confirmada pela Prefeitura, que destacou que a medida busca garantir a transparência e a proteção do interesse público. Enquanto isso, os familiares de Manoel têm enfrentado um período difícil após sua morte. O filho descreve a dor e o impacto que a perda teve sobre a família, ressaltando a figura do pai como o pilar da casa.
Os principais objetivos da CPI incluem: investigar as circunstâncias do atendimento prestado a Manoel no Hospital Municipal Antônio Carneiro Valadares; verificar a regularidade dos procedimentos médicos; analisar falhas ou omissões na condução do caso; apurar responsabilidades administrativas; e propor melhorias nos serviços de saúde.
Após o acidente, Manuel ficou internado por 13 dias, mas não resistiu às complicações decorrentes do erro médico. O filho, emocionado, lamentou:
“Se isso não tivesse acontecido com ele, eu garanto que meu pai tinha passado o Natal e mais um Ano Novo com a gente.”
A Prefeitura, em sua nota, reafirmou seu compromisso com a transparência e a ética, garantindo que está colaborando com a CPI e com as investigações da Polícia Civil, fornecendo todas as informações necessárias. "Desde que tomou conhecimento dos fatos, a Administração Municipal adotou medidas para assegurar a apuração regular dos acontecimentos e a proteção do interesse público", destacou o comunicado.
Esse caso inusitado de erro médico levanta questões sérias sobre a gestão da saúde municipal e a responsabilidade das instituições de saúde, ressoando nas preocupações de muitos cidadãos sobre a qualidade do atendimento médico no Brasil. A CPI promete ser um importante passo para entender as falhas que levaram a esse lamentável incidente e garantir que casos similares não se repitam no futuro.