EUA emitem alerta ao setor aéreo no Pacífico mexicano
A Administração Federal de Avião (FAA) dos Estados Unidos lançou nesta sexta-feira uma alerta ao sector aéreo relacionada às “operações militares” no Pacífico mexicano. A advertência abrange diversas regiões, incluindo o golfo da Califórnia, e é particularmente direcionada à cidade de Mazatlán, sinalizando riscos potenciais para aeronaves em todas as altitudes.
Segundo a FAA, a vigência da alerta se estende até o dia 17 de março. Este aviso surge em um contexto de crescente tensão entre os Governos dos Estados Unidos e do México, especialmente em relação ao combate ao narcotráfico. Recentemente, Donald Trump fez declarações sobre uma possível ação militar contra os cartéis, que têm gerado preocupações nas autoridades mexicanas.
“As aeronaves militares americanas podem operar a altitudes semelhantes ou inferiores às utilizadas pela aviação civil, muitas vezes sem aviso prévio e com poucos alertas, além de realizarem operações sem transpondedores, o que pode impactar a operação da aviação civil,” ressalta o comunicado da FAA.
A FAA também alertou que voos comerciais podem experimentar "interferências intermitentes" nos seus sistemas de navegação. De acordo com a nota, embora as aeronaves geralmente recuperem o GNSS (Sistema Global de Navegação por Satélite) logo após sair da área de interferência, os efeitos podem se prolongar durante todo o voo.
Horas após o anúncio da FAA, a Secretaria de Infraestrutura, Comunicações e Transportes do México emitiu um comunicado assegurando que a alerta não afetaria a aviação mexicana. De acordo com a secretaria, a medida é da mesma natureza de outras NOTAM (notificações da FAA) emitidas anteriormente para a região do Caribe e que agora se estende à área do Pacífico.
Esses eventos acontecem durante uma semana marcada por intensa tensão entre os dois países. Trump, em várias ocasiões, expressou o desejo de bombardear cartéis no México ou enviar tropas para apoiar o país na luta contra o narcotráfico, propostas que têm sido rejeitadas pela prefeita de Cidade do México, Claudia Sheinbaum.”
“Se vocês querem que ajudemos mais com nossas forças no México...”, disse Trump em uma conversa telefônica, à qual Sheinbaum respondeu de maneira firme, reiterando que essa opção não está em consideração.
Em resposta ao comunicado de Washington pedindo “ações tangíveis” do governo mexicano em termos de segurança, Sheinbaum afirmou que é essencial continuar a colaboração, mas ressaltou a importância do respeito mútuo e da responsabilidade compartilhada entre os dois países. Ambas as nações devem se encontrar, possivelmente no próximo fevereiro na Casa Branca, para discutir e definir os próximos passos em segurança.