Indignação com referências nazistas em comunicação do governo dos EUA
Nos últimos dias, várias publicações de diferentes departamentos do governo dos Estados Unidos têm gerado polêmica e indignação, após serem identificados lemas que remetem ao supremacismo e ao fascismo. A situação ganhou destaque especialmente após um ato público ocorrido em Nova York, no dia 8 de janeiro, onde a secretária de Segurança Nacional, Kristi Noem, realizou uma conferência de imprensa em frente a um cartaz que continha um lema nazista.
A controvérsia começou quando o Departamento de Trabalho publicou uma animação com a imagem da estátua do presidente George Washington, acompanhada da frase: “Uma pátria. Um povo. Uma herança. Lembre-se de quem você é, estadunidense.” Este lema imediatamente gerou questionamentos sobre sua ligação com a propaganda nazista, que utilizava a frase “Ein Volk, ein Reich, ein Führer” (Um povo, um império, um líder). O público reagiu com vehemente indignação nas redes sociais, descrevendo a situação como uma "depravação" da administração atual.
Além disso, a frase utilizada por Noem, "Um de nós, todos os seus", foi acusada de ter conotações fascistas que justificavam represálias coletivas do nazismo durante a Segunda Guerra Mundial. O uso de linguagem que ecoa movimento extremistas no governo Trump levanta questionamentos sobre o futuro da retórica política nos Estados Unidos e seu impacto na sociedade.
A presidente da organização Projeto Global Contra o Ódio e o Extremismo (GPAHE), Wendy Via, declarou que os líderes políticos da administração atual aparentemente não se preocupam mais em usar mensagens subliminares ou linguagem não explicita. "Estão aproveitando descaradamente referências supremacistas brancas e nazistas em suas imagens e lemas, tentando recrutar apoiadores e influenciar a mentalidade americana", afirmou Via.
Esta retórica tem alimentado uma agenda ultranacionalista que se manifesta através de políticas que visam desmantelar qualquer forma de diversidade e inclusão, promovendo uma visão de sistemas e valores que excluem vozes dissidentes, representadas por imigrantes e minorias. Desde o início da administração Trump, identificou-se a magnificação de um discurso que não apenas evoca, mas tenta implementar ações que já se mostraram prejudiciais em capítulos sombrios da história.
Dentre as medidas adotadas, estão as ordens executivas que visam eliminar qualquer abordagem que promova a diversidade de gênero. O crescimento do magnetismo de discursos extremistas se intensifica em vistas às tensões sociais e políticas prementes. Coco Das, membro da Junta Diretiva Nacional do movimento Refuse Fascism, alerta para os riscos dessa ideologia que tem guiado as políticas do governo, descrevendo-a como uma "fenomenologia que se assemelha ao fascismo".
Com a retórica antimigratória subsequente a incidentes como o assassinato de Renee Good em Minneapolis, as tensões sociais parecem estar em um crescendo. As mensagens do governo têm se tornado um eufemismo para um discurso de ódio que exclui e marginaliza diversos grupos, passando a ter impactos diretos sobre a legislação e as políticas públicas.
A recepção de imagens e mensagens que remetem à ideologia do “destino manifesto” também tem suscitado debates acalorados, levando ao repúdio de ativistas e cidadãos comuns. As referências ao passado, agora utilizadas em propaganda governamental, exacerbam as acusações de que estamos marchando em direção a uma nova era de autoritarismo.
Portanto, a insistência em vincular a administração atual com ideais que evocam o fascismo e o nazismo não é apenas uma discussão acadêmica, mas uma preocupação crescente dentro da sociedade americana, que enfrenta a incerteza sobre o futuro de seus princípios democráticos.