Aumento de Alagamentos em São Paulo
A cidade de São Paulo enfrenta um alarmante aumento de 47% nos casos de alagamentos em 2025, destacando uma tragédia recente que vitimou um casal na Zona Sul. Enquanto a prefeitura indica investimentos recordes, a construção de piscinões destinados a mitigar os efeitos das chuvas encontra-se atrasada. Especialistas apontam a necessidade de soluções integradas, como parques lineares e a permeabilização urbana, para enfrentar o problema crescente.
Tragédia na Zona Sul
Maria Deusdete da Mata Ribeiro, de 67 anos, e Marcos da Mata Ribeiro, de 68 anos, perderam a vida durante um incidente trágico na Avenida Carlos Caldeira Filho, no Campo Limpo, Zona Sul de São Paulo. O carro do casal foi arrastado pela força da água de um córrego transbordado devido a um intenso temporal. As vítimas foram localizadas dias depois de desaparecidas. Comerciantes da Avenida Ellis Maas relataram momentos de pânico, com a água subindo em questão de minutos e arrastando veículos, um cenário que se torna cada vez mais recorrente na capital paulista.
Crescimento de Casos e Dados da Defesa Civil
O ano de 2025 registrou 663 casos de alagamentos, marcando um aumento significativo em relação aos 451 ocorridos em 2024, conforme dados da Defesa Civil. Apesar da administração municipal afirmar que as estatísticas englobam alagamentos causados por tubulações de água e não apenas por eventos climáticos, o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas contabilizou 620 enchentes no mesmo período. A prefeitura, por sua vez, argumenta que os dados estão abaixo da média de 751 episódios anuais registrados entre 2010 e 2024.
Infraestrutura Inadequada e Atrasos em Obras
A Avenida Carlos Caldeira, onde o casal se acidentou, é parte da bacia do Córrego do Morro do S, área que carece de barreiras de proteção, as quais foram implementadas posteriormente pela administração municipal. Desde 2017, a Defesa Civil indicou pelo menos 25 ocorrências de enchentes e alagamentos nas proximidades onde aconteceu a tragédia. A expectativa tenra de melhorias, com a promessa da entrega do piscinão de Capão Redondo, com capacidade para 192 mil metros cúbicos, não se concretizou. Estudos demonstram que seriam necessários sete piscinões, além de um parque linear, para uma solução eficaz ao problema.
A Visão dos Especialistas
A doutora em engenharia hidráulica, Liliane Armelin, enfatiza que "esses piscinões poderiam melhorar muito as condições de drenagem". O prefeito Ricardo Nunes (MDB) se manifestou lamentando as mortes e justificou os atrasos nas obras por problemas técnicos, referindo-se a R$ 9,3 bilhões em investimentos em drenagem e canalizações de córregos.
Impacto nas Comunidades Periféricas
A maior parte das ocorrências de alagamentos atinge os bairros periféricos, especialmente na Zona Leste, que concentra 50% dos casos. O Jardim Pantanal, nas margens do Rio Tietê, figura como a área mais crítica, registrando 102 casos. Enquanto as zonas Sul e Norte somam 20% das ocorrências, as áreas mais abastadas da Zona Oeste e Centro representam apenas 10% do total.
Desafios para o Futuro
Especialistas sugerem que a abordagem tradicional de construção de piscinões precisa ser reconsiderada. Anderson Kazuo Nakano, arquiteto e urbanista, argumenta que projetos alternativos que envolvam a criação de jardins de chuva e permeabilização de calçadas são essenciais. A professora Liliane Armelin reforça que as estruturas atuais podem não suportar o aumento das precipitações previstas. A prefeitura, por sua vez, afirma que as operações estão em constante avaliação e que a criação de áreas permeáveis é prioridade, com 473 jardins de chuva já existentes e outros 99 em execução.
* Colaborou Karen Lemos, da rádio CBN.