Interesses em Jogo na Eleição Indireta do Rio de Janeiro
Movimentações políticas no Rio de Janeiro destacam interesses divergentes entre Lula, Flávio Bolsonaro, Cláudio Castro e Eduardo Paes em torno da eleição indireta para um mandato-tampão na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Enquanto Paes e Castro tentam eleger Nicola Miccione, o Planalto apoia André Ceciliano, do PT. Flávio Bolsonaro busca um nome de direita para fortalecer seu palanque em 2026, criando um cenário de tensão política e alianças voláteis.
A possibilidade de eleição indireta na Alerj para um mandato-tampão vem mobilizando os governos federal, estadual e municipal nos últimos dias. O prefeito Eduardo Paes (PSD), que na segunda-feira anunciou sua pré-candidatura ao Palácio Guanabara, e o governador Cláudio Castro (PL), que deve buscar o Senado e abrir a vaga para um interino escolhido pelos deputados estaduais, haviam feito um acordo para tentar eleger o chefe da Casa Civil, Nicola Miccione, na Alerj, mas dois movimentos em Brasília atrapalharam os planos.
O Palácio do Planalto ameaça patrocinar a candidatura ao cargo do ex-presidente da Alerj André Ceciliano (PT), atual secretário de assuntos legislativos do Ministério das Relações Institucionais. Já o senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato a presidente, quer um palanque forte no estado e deseja eleger para o mandato interino o nome da direita que disputará o governo em outubro com seu apoio. O deputado estadual licenciado Douglas Ruas — hoje secretário das Cidades de Castro e filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL) — é o mais cotado para assumir a missão.
Desde a semana passada, a candidatura de Ceciliano vem ganhando força na Alerj com o apoio do presidente afastado Rodrigo Bacellar (União) e de tradicionais caciques da política fluminense, como os ex-governadores Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão (MDB) e o ex-deputado Paulo Melo (MDB), que também já comandou o Legislativo. O petista calcula ter entre 25 e 29 votos na Assembleia dentre os 70 disponíveis. A conta inclui parte do Centrão fluminense e da esquerda, hoje insatisfeita com os seguidos flertes de Paes com a direita.
Conforme mostrou a Jogo Político na última quinta-feira, Lula ficou irritado com a entrevista de dezembro do vice-prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) ao O Globo, na qual ele chamou de "lero-lero" os discursos do presidente sobre segurança pública. Na época, o petista havia criticado a operação policial que matou 121 pessoas nos Complexos do Alemão e da Penha. As falas de Cavaliere foram tema do encontro privado entre Lula e Paes na terça-feira passada, em que o prefeito jurou lealdade ao petista nas eleições. O PT, no entanto, desconfia da promessa.