Aumento alarmante de casos de sífilis no Brasil
Dados recentes mostram um aumento significativo nos casos de sífilis no Brasil, refletindo uma preocupação crescente entre especialistas em saúde pública. O país enfrenta uma tendência alarmante que exige ação imediata e estratégias de prevenção.
A sífilis, uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum, é uma doença conhecida há séculos, fácil de detectar e tratar, mas continua representando uma ameaça à saúde pública global. Dados epidemiológicos apontam um aumento de 109% nos casos notificados durante a primeira semana do ano, em comparação com a média do período entre 2021 e 2025. Isso alerta sobre um padrão de crescimento que se intensifica há mais de uma década, incluindo uma notável queda no uso de preservativos e redução nas políticas públicas de prevenção.
Entre 4 e 10 de janeiro, foram registrados 1.092 novos casos de sífilis, em contraste com uma média de 522 na mesma semana dos últimos cinco anos. O total de casos acumulados em 2025 chegou a 55.183, um aumento de 71% em relação à média dos anos de 2020 a 2024.
Os especialistas indicam que esse aumento é resultado de diversos fatores, incluindo a diminuição das estratégias de prevenção. Leandro Cahn, diretor da Fundação Huésped, comenta sobre a falta de políticas públicas efetivas. “Observamos uma queda no uso de preservativos e em campanhas educativas. A percepção de risco entre os jovens é baixa, especialmente devido à crença de que existem tratamentos eficazes para infecções sexualmente transmissíveis, como o HIV”, afirma Cahn.
De acordo com a médica infectologista María Delfina Rimoldi, a transmissão da sífilis ocorre principalmente através do sexo desprotegido. Também é possível que a infecção seja transmitida ao feto durante a gestação ou parto, resultando na sífilis congênita. As manifestações clínicas da infecção podem ser sutis; a lesão inicial, conhecida como chancro sifilítico, aparece como uma úlcera indolor que pode passar despercebida, levando à transmissão acidental.
A maior parte dos casos é concentrada em indivíduos jovens, especialmente entre 15 e 39 anos, com uma incidência maior entre mulheres nessa faixa etária. Ademais, os dados indicam um aumento de casos de sífilis entre grávidas, com 11.261 contágios confirmados em 2025, em comparação com a média histórica de 9.821 entre 2020 e 2024.
María Delfina Rimoldi também destaca a importância do acesso a métodos de prevenção e à informação sobre saúde sexual. “A crescente incidência de uma doença tratável e prevenível é um problema coletivo e de política pública. A falta de preservativos, testes regulares e campanhas informativas demonstra a necessidade de uma abordagem integrada e sustentável para a saúde sexual”, enfatiza.
A situação se agrava considerando que, durante a administração do governo de Javier Milei, a distribuição de preservativos por parte do Estado caiu drasticamente. Em 2025, não houve aquisições por parte do governo federal, e apenas 832 preservativos foram distribuídos, resultando em escassez em todo o Brasil. Além disso, o orçamento destinado a programas de Educação Sexual Integral foi reduzido em 98% em comparação com 2023, o que indica um retrocesso significativo nas políticas de saúde pública.
Esses dados alarmantes revelam a necessidade urgente de reverter essa tendência através de uma revitalização das estratégias de prevenção e conscientização sobre a sífilis e outras infecções sexualmente transmissíveis, assegurando acesso a tratamentos eficazes e educação adequada para a população.