Presidente do Peru defende sua posição em escândalo político
Envolvido em suspeitas de transações irregulares fora do Palácio Presindencial com empresários chineses, o presidente do Peru, José Jerí, compareceu nesta quarta-feira à Comissão de Fiscalização do Congresso para prestar esclarecimentos sobre o caso conhecido como Chifagate. No entanto, ao invés de apresentar as justificativas esperadas pela população, o presidente denunciou uma suposta conspiração contra ele.
Em uma interação que durou cerca de 10 minutos, Jerí reiterou que não cometeu nenhum ato irregular ou ilícito ao se encontrar fora da agenda oficial com o empresário chinês Zhihua Yang. Ele caracterizou o escândalo como uma manobra política destinada a "gerar instabilidade" no país e "alterar" o processo eleitoral agendado para o dia 12 de abril.
O presidente mencionou que as imagens de seus encontros com Yang, que é conhecido como Jhonny em círculos de poder, foram divulgadas “progresivamente” por uma "mesma fonte", insinuando que se tratava de uma armadilha. Jerí justificou suas ações ao afirmar que duas atividades corriqueiras, como jantar e fazer compras, foram distorcidas. "São apenas jantares e compras. Que armadilha é essa? As investigações dirão", declarou Jerí após ser flagrado em um restaurante, à beira da meia-noite, e em um mercado fechado.
Contudo, suas explicações têm se mostrado contraditórias. O presidente tem tentado explicar o Chifagate de diferentes maneiras: em alguns momentos afirmou que o encontro foi relacionado aos preparativos para o Dia da Amizade entre Peru e China; em outros, afirmou que se tratava de um evento privado; e, quando questionado pela Comissão de Fiscalização, comentou que a reunião “não foi planejada ou organizada”, mas um “encontro circunstancial” ao qual foi com uma comitiva oficial. "Se eu quisesse fazer um ato irregular, não levaria o meu ministro e meu segurança", enfatizou.
Entretanto, o caso transcende uma simples discussão sobre comportamentos. A Comissão de Fiscalização convocou Jerí não apenas por sua ligação com Yang, mas também por conexões do empresário com Ji Wu Xiaodong, outro cidadão chinês que está sob investigação do Ministério Público por supostos laços com uma rede de exploração ilegal de madeiras, chamada Los Hostiles da Amazônia, à qual foi imposta uma ordem de prisão domiciliar. Em resposta, Jerí afirmou que não recebeu Ji Wu Xiaodong em sua sede e alegou que agiu de boa fé, e que não tinha por que questionar sobre restrições de terceiros.