Capacidade de Drones da Rússia em Debate no Fórum Econômico Mundial
Nesta quinta-feira, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskyy, expôs preocupações a respeito da capacidade de produção de drones de combate da Rússia. Segundo Zelenskyy, a Rússia está fabricando aproximadamente 500 drones projetados no Irã diariamente. Este comentário é um importante indicador da percepção da Ucrânia sobre o equilíbrio de forças no campo de batalha, especialmente na luta envolvendo drones de longo alcance.
Zelenskyy destacou que a Ucrânia está produzindo 1.000 drones interceptores, que são pequenos quadricópteros concebidos para combater outros drones. "Nós realmente produzimos cerca de 1.000 por dia, mas isso não é suficiente. O número ainda é baixo", afirmou o presidente, enfatizando a assimetria entre as capacidades de ataque de ambos os lados.
Os drones iranianos, conhecidos como família Geran de munições perscrutadoras, são predominantemente baseados no modelo Shahed — um drone com formato de asa delta desenhado para carregar ogivas explosivas a longa distância. Os ucranianos frequentemente utilizam esses termos de forma intercambiável, dada a similaridade em suas concepções. Esses drones têm sido uma dor de cabeça significativa para a Ucrânia, que se vê frequentemente alvo de bombardeios compostos por centenas de Gerans e drones de engano lançados do território russo.
Recentemente, o comandante-em-chefe da Ucrânia, Oleksandr Syrskyi, apontou que a Rússia pode estar se esforçando para aumentar a fabricação de drones, buscando potencialmente atingir 1.000 Gerans por dia. Ele acrescentou que a Rússia já está construindo 404 Shaheds de diferentes tipos por dia.
As declarações de Zelenskyy também fornecem pistas sobre as condições no campo de batalha diante do uso de novos tipos de defesa aérea da Ucrânia, com a introdução de drones interceptores. Os números mencionados pelo presidente sugerem que a Ucrânia está utilizando o dobro de interceptores em comparação aos Shaheds russos, porém a proporção de 2:1 ainda se mostra insuficiente para garantir a segurança do espaço aéreo ucraniano.
No cenário atual, os drones interceptores na Ucrânia continuam sendo operados, em sua maioria, por pilotos humanos, que enfrentam o árduo desafio de manobrar quadricópteros leves — muitas vezes em condições adversas de vento ou clima — para interceptar alvos em movimento a velocidades superiores a 160 km/h.
Zelenskyy também alertou esta semana sobre a possibilidade de a Ucrânia enfrentar uma escassez de pilotos para operar os drones interceptores, pedindo ao governo que priorize a recruta e a formação de novos especialistas. Por outro lado, o Kremlin tem avançado no desenvolvimento de versões do Geran com novas funcionalidades, como motores a jato substituindo hélices e câmeras adicionais para ajudar os drones a evitar interceptores.
Mais recentemente, a Ucrânia informou que a Rússia havia deslocado um novo tipo de Geran turbojato, que remete ao drone de ataque Karrar, produzido no Irã. Diferentemente do Shahed, este modelo apresenta um design de aeronave mais convencional.
À medida que a guerra evolui, a dinâmica envolvendo a tecnologia de drones se torna cada vez mais crucial para as estratégias de defesa e ataque de ambos os lados e pode definir a artilharia do futuro próximo no conflito.