Botafogo enfrenta uma grave crise financeira
O Botafogo vive um de seus momentos mais delicados financeiramente desde a transformação em SAF (Sociedade Anônima de Futebol), que ocorreu no início de 2022. O clube enfrenta diversas dificuldades, incluindo atrasos no pagamento dos direitos de imagem de seus jogadores e um transfer ban imposto pela FIFA devido a uma dívida com o Atlanta United, referente à contratação do jogador Almada.
No cenário atual, os atletas do Botafogo estão com dois meses de direitos de imagem atrasados. Embora os pagamentos sob a carteira de trabalho (CLT) estejam em dia, a situação com os direitos de imagem permanece problemática. Recentemente, após uma conversa entre a diretoria e o elenco, uma das parcelas dos direitos de imagem foi paga, mas isso não ameniza a tensão existente entre os jogadores.
Após a vitória do Botafogo sobre o Volta Redonda, o zagueiro Barboza expressou seu incômodo em relação à situação financeira do clube durante a entrevista coletiva.
— Estou falando com o clube, não tem nada fechado. Eu tive várias propostas, mas a prioridade é ficar no Botafogo. Eu não quero ir embora, eu quero ficar. Tem coisa que não depende de mim.
Outras dívidas e a ordem de cortes
Além das complicações com os direitos de imagem, alguns jogadores estão com o FGTS atrasado e outros ainda aguardam o pagamento das luvas. A premiação da Copa do Mundo de Clubes, realizada em 2025, também ficou meses sem ser paga. Empresários que representam atletas têm recomendado que não fechem contratos com o Botafogo, uma vez que o clima de instabilidade se agravou entre os membros do elenco.
A atual situação exige uma drástica redução de gastos em todos os departamentos do clube, afetando inclusive as categorias de base do futebol masculino e o time feminino. Funcionários relatam um ambiente de insegurança e incerteza sobre o futuro do clube, exacerbado pela ausência contínua de John Textor, cuja última aparição foi na primeira semana de dezembro, antes da aplicação do transfer ban.
Venda de jogadores e busca por aporte financeiro
Na tentativa de resolver os problemas financeiros, o diretor de gestão esportiva do Botafogo, Alessandro Brito, admitiu que há necessidade de vender jogadores para aliviar a situação. Em sua última janela de transferências, o Botafogo vendeu Marlon Freitas para o Palmeiras, David Ricardo para o Dínamo de Moscou e Savarino para o Fluminense, com novas saídas ainda sendo consideradas.
Internamente, Textor tenta manter a calma, afirmando que conseguirá um aporte financeiro necessário para regularizar as pendências. No entanto, não há uma data definida para que esses fundos se tornem disponíveis. Textor, que se viu envolvido em litígios com sócios anteriores e vários fundos que exigem pagamentos, enfrenta uma série de desafios. O fundo Ares, por exemplo, cobra uma dívida referente à compra do Lyon, enquanto a Iconic Sports Management clama pelo pagamento de US$ 97 milhões.