Caminhada de Nikolas em protesto a Bolsonaro enfrenta desafios
A caminhada de 240 km liderada por Nikolas Ferreira, em protesto à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, alcançou seu sexto dia nesta semana. O percurso, que se estende pela BR-040, foi marcado por alertas da Polícia Rodoviária Federal (PRF) sobre riscos de segurança para os participantes, além de relatos de lesões e cansaço por parte dos envolvidos.
A marcha, iniciada na segunda-feira passada em Paracatu, Minas Gerais, tem atraído a presença de outros parlamentares e apoiadores. Entre os participantes estão os deputados Luciano Zucco (PL-RS) e Carlos Jordy (PL-RJ), além do ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ). Surpreendentemente, o senador Magno Malta (PL-ES), recuperando-se de uma cirurgia, se juntou à marcha em uma cadeira de rodas.
Contudo, a PRF manifestou sua preocupação e notificou formalmente o gabinete de Nikolas sobre os perigos operacionais identificados no trajeto, acentuando a importância de medidas para garantir a segurança durante a caminhada. Em resposta, a assessoria do deputado afirmou ter recebido um e-mail da PRF, demonstrando disposição para colaborar em questões de segurança.
Os desdobramentos do evento não se limitaram às questões de segurança. Em redes sociais, líderes do PT, como Lindbergh Farias (RJ) e Rogério Correia (PT-MG), criticaram a marcha, pedindo a suspensão da atividade. Lindbergh, em um vídeo, enfatizou os riscos de segurança e a proibição de circulação nas margens da rodovia federal, considerando as ações dos parlamentares como crime.
Entre os participantes, as feridas foram uma constante. Imagens compartilhadas mostram bolhas e contusões, e Nikolas Ferreira, ao atingir a marca de 144 km, exibiu os pés inchados e feridos. Outros deputados, como Fernando Holiday (PL), relataram lesões que exigiram atendimento médico durante a marcha.
Os comentários críticos à marcha também ecoam entre os parlamentares que apoiam o governo Lula. Correia classificou a manifestação de "encenação" e afirmou que a estratégia de buscar comoção do público não teria sucesso. A deputada federal Célia Xakriabá (PSOL-MG) referiu-se ao ato como um sinal de que Nikolas está mais preocupado em evitar o trabalho legislativo. Além disso, provocadores musicais se juntaram ao percurso, ampliando as tensões entre os apoiadores de Bolsonaro e os opositores.
A marcha de Nikolas Ferreira não é apenas um ato político, mas um símbolo das divisões atuais na política brasileira, evidenciado pelas feridas físicas e ideológicas enfrentadas ao longo do caminho. Com a jornada ainda pela frente, os participantes continuarão a encarar desafios não apenas em termos de segurança, mas também em meio a um cenário de intensa polarização política.