Divergências de Paulo Gonet com a Polícia Federal marcam cenário político
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, tem se encontrado em rota de colisão com a Polícia Federal (PF) em uma série de investigações que envolvem parlamentares e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Desde sua nomeação, Gonet tem enfrentado críticas após arquivar representações importantes, mantendo-se firme em suas análises técnicas, mesmo sob pressão de setores políticos e da própria PF.
Recém-reconduzido ao cargo após uma votação apertada no Senado, Gonet tem protagonizado cenas de tensão, especialmente em investigações que geram desconforto no governo federal. Recentemente, sua decisão de arquivar uma representação contra o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantou discussões acaloradas em bastidores políticos.
O requerimento que pedia a suspeição de Toffoli estava vinculado a um suposto conflito de interesse, originado de um viagem feita pelo ministro em um jatinho com um advogado associado a um diretor financeiro suspeito. Apesar das exigências políticas, Gonet optou por seguir uma linha de decisão fundamentada em critérios técnicos, alegando que as críticas são parte do processo de seu trabalho.
Outro caso marcante foi o arquivamento de parte do inquérito contra o senador Chico Rodrigues, do PSB de Roraima, investigated por desvios de recursos durante a pandemia. Gonet se posicionou a favor do arquivamento após concluir que não existiam provas suficientes que indicassem a origem ilícita do dinheiro encontrado com o senador durante uma operação em 2020. A PF, por outro lado, havia indiciado Rodrigues, manifestando a necessidade de medidas cautelares, que não foram autorizadas pelo relator do caso no STF na época, o ministro Luís Roberto Barroso.
Outra divergência significativa envolve a "Operação Sem Desconto", que investiga um esquema de desvios de benefícios pagos pelo INSS. A PF havia solicitado a prisão do senador Weverton Rocha, citado como beneficiário de recursos desviados. Assim como em outros casos, Gonet demonstrou resistência às solicitações da PF, o que levanta questionamentos sobre a relação entre as diferentes instituições.
As relações de Gonet com o STF têm sido analisadas com cautela. Seu aceno aos parlamentares na véspera de sua sabatina, ao defender a constitucionalidade das emendas impositivas, ajudou a pavimentar seu caminho para a recondução ao cargo, mesmo diante de críticas da oposição. Gonet é visto como uma figura de confiança por alguns setores políticos, especialmente por sua proximidade com o presidente Lula, o que coloca sua posição em um delicado equilíbrio entre o Judiciário e o Legislativo.