Desmatamento e Crime Organizado: uma Aliança Perigosa
Enquanto o governo brasileiro destaca a redução do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) intensificam suas atividades nesses biomas. Essas organizações se aliam a garimpeiros, madeireiros e grileiros, desafiando as autoridades e ameaçando áreas protegidas.
Especialistas alertam para a necessidade de integrar as políticas de segurança e ambientais para combater eficazmente o crime organizado e promover a preservação ambiental. O alerta é particular na Amazônia, um bioma estratégico que permite o tráfico de drogas e serve como rota de exportação.
Atividade Criminosa Crescente
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) indicam que, em 2025, 344 dos 772 municípios na Amazônia Legal tinham pelo menos uma facção atuando — um aumento de 32% em relação a 2022. A presença do CV em Terras Indígenas, como a TI Sararé em Mato Grosso, exemplifica as dificuldades enfrentadas no combate ao crime organizado nessa região.
O garimpo ilegal, um método usado por essas facções para lavar dinheiro proveniente do tráfico, contamina comunidades locais, como os Yanomami, com mercúrio. A necessidade de políticas públicas que integrem questões de segurança e meio ambiente é urgente.
A Importância da Integração das Ações
Aiala Couto, pesquisador do FBSP, defende que o financiamento do narcotráfico está ligado ao crime ambiental, pois o dinheiro obtido com as drogas é utilizado na compra de maquinários para o garimpo. Essa conexão cria um ciclo de destruição ambiental que precisa ser enfrentado de forma coordenada entre a governança local e as forças de segurança do estado.
A coordenadora de políticas públicas do Greenpeace Brasil, Mariana Mota, enfatiza a importância da transformação das operações ambientais em ações de inteligência que visem desarticular as facções. O compartilhamento de responsabilidades e recursos entre União, estados e municípios é vital.
Rumo a uma Solução Sustentável
Renato Morgado, da Transparência Internacional-Brasil, acrescenta que a ligação entre crime organizado e destruição ambiental precisa ser priorizada. O governo deve apresentar resultados tangíveis para combater o crime ambiental e garantir a segurança pública, especialmente nas áreas rurais e florestais, onde a presença estatal é limitada.
A inclusão do combate ao crime organizado em conferências climáticas, como a COP, representa um avanço, mas limitações estratégicas ainda precisam ser superadas. A ausência de um "mapa do caminho" para erradicar o desmatamento foi vista como uma perda na articulação complexa entre as conferências e a realidade enfrentada no campo.