Base de Ramstein e a Relação EUA-Alemanha em Tempos Turbulentos
A Alemanha se encontra em um momento crítico em suas relações com os Estados Unidos, especialmente após as ameaças feitas pelo ex-presidente Donald Trump em relação à Europa e a Groenlândia. A base aérea de Ramstein, localizada em Ramstein-Miesenbach, é a maior instalação militar dos EUA fora de seu território e um ponto central na discussão sobre a presença americana na Europa.
No restaurante Da Nino, frequentado por tanto alemães quanto americanos, os riscos políticos entre os dois países dominam as conversas. "Me dá vergonha", afirma Judy, uma funcionária civil da base. Enquanto isso, Ronnie, um veterano americano que decidiu ficar na Alemanha após a aposentadoria, completou: "Fazemos churrascos juntos. Somos vizinhos. O que acontece na política está além de nosso controle". Essa amizade é um reflexo do que a base representa: mais do que um mero ponto estratégico, é um símbolo de conexão entre culturas.
Com a presença de aproximadamente 50.000 cidadãos americanos na região, incluindo soldados e suas famílias, Ramstein-Miesenbach se tornou um bastião do relacionamento transatlântico. O sentimento de incerteza é palpável após as declarações de Trump sobre a possibilidade de ações militares. "Sobrevivemos ao primeiro mandato de Trump. Espero que possamos sobreviver a este também", disse Maria, uma professora alemã. Esse medo generalizado é refletido nas opiniões de muitos que assistem a relação deteriorar-se.
Trump, ao afirmar que "por bem ou por mal" tomaria Groenlândia, levantou questões sobre a continuidade da base em Ramstein. John Constance, organizador de uma tertúlia social que ocorre mensalmente no local, questionou o impacto de um potencial ataque militar dos EUA a um membro da OTAN e como isso afetaria as relações nos encontros que fazem parte do cotidiano da base.
“A conexão entre alemanes e estadounidenses é íntima na região de Ramstein-Miesenbach.”
Durante esses encontros, as conversas se tornam um reflexo da fragilidade da política internacional. O jornalista Holger Stark, autor de uma recente análise sobre o futuro da Alemanha sem a presença americana, equipara a atual situação a uma “segunda queda do Muro”, levantando a dúvida se a retirada americana é mesmo uma possibilidade.
Além disso, a base de Ramstein, considerada um "porta-aviões imóvel", é essencial para a projeção de poder dos EUA globalmente. Durante a Guerra Fria, representava uma linha de defesa contra a União Soviética. Hoje, as bases são vistas como uma faca de dois gumes, onde a presença americana é tanto necessária quanto vista como uma possível ameaça.
Ralf Hechler, o prefeito de Ramstein-Miesenbach, descreve a importância da presença dos EUA, que beneficia a economia local. "Trump causou muitos danos com sua maneira de agir, mas ainda não fez com que as pessoas aqui sevoltassem contra os americanos", disse ele, destacando a interdependência que existe entre as comunidades nessa região.
Em meio ao crescente debate, Elke Koller, uma aposentada farmacêutica, expressa sua preocupação com armas nucleares armazenadas próximas. Representantes locais de movimentos pacifistas, como Koller, argumentam que a presença dessas armas não oferece proteção, mas sim torna a Alemanha um alvo potencial.
A insegurança geopolítica e o futuro da base de Ramstein permanecem incertos, enquanto líderes e cidadãos se questionam sobre as verdadeiras implicações da política americana na Europa e o que o futuro reserva para essa vital conexão transatlântica.