Fotógrafos refletem liberdade em festival com Quimera
A busca pela liberdade e autenticidade na arte é um dos grandes motores da criatividade, e isso é exatamente o que os fotógrafos Diego Sánchez e Borja Larrondo capturaram em seu projeto Quimera. Essas duas mentes inquietas documentaram a efervescência dos festivais de música Motorbeach, em Asturias, e Wheel and Waves, em Biarritz, explorando a essência da vida nômade e a fraternidade que permeia esses eventos.
Diego, natural de Asturias, e Borja, de Madrid, compartilharam experiências que os levaram a buscar uma expressão artística que transcende as limitações do mundo moderno. Em 2016, enquanto Borja viajava de moto por Bélgica e Normandia, Diego fez uma viagem de carona pelos Estados Unidos. Essas vivências se entrelaçaram em um desejo comum: documentar a vida sob a perspectiva de um espírito livre.
O livro Quimera: Antologia de uma vida selvagem é o resultado de cinco anos de experiências e reflexões. "Voltar a huir, a desprender-se de qualquer vestígio de um mundo construído sem nossa participação, é essencial para sentir o oceano e a natureza ao nosso redor", compartilham os fotógrafos. Essa fuga à natureza tornou-se um fio condutor que inspira o seu trabalho.
Durante os festivais, a dupla não apenas fotografava, mas também captava a emoção única de cada evento, como se estivessem se apresentando para uma plateia. "Os anjos do inferno, as crianças, os surfistas, os cães e os amigos", todos esses personagens se entrelaçam em um momento fugaz que é celebrado e lembrado, mas que também se desmorona rapidamente, seguindo o ritmo das motos e da música.
Com 12 capítulos que funcionam como faixas de um disco, Quimera busca perpetuar as emoções e a vivência desses momentos. Os autores se inspiraram em referências como a geração beat e em grandes cineastas, incentivando o público a se aprofundar em seu projeto. "A música sempre teve um papel central, fungindo como um espelho da sociedade", compartilha Marta Ruiz, uma das colaboradoras do projeto.
O espírito desafiador do rock 'n' roll permeia a narrativa, que convida escritores a contribuir com suas próprias experiências de vida nômade. Um anúncio provocativo, em busca de escritores dispostos a viver em uma van e enfrentar as adversidades, resgata a essência de um convite feito por Ernest Shackleton em sua famosa expedição à Antártida.
A estética e o design do livro também são notáveis. Com 384 páginas, a obra combina papel poroso para contar histórias do passado e papel mais liso para os textos contemporâneos. Fotografias analógicas e digitais, tipografias variadas e collages emergem como uma forma de comunicação que reforça a dualidade entre o antigo e o novo.
Recentemente, com o lançamento do Capítulo XIII, um curta experimental, os fotógrafos continuam a expandir a narrativa de Quimera através de um diálogo entre o movimento e a imagem estática. A emoção e a adrenalina do presente contrastam com as memórias do passado, ilustrando a dualidade da experiência artística.
Ao concluírem a primeira edição de Quimera, Diego e Borja provam que sua arte e seus conceitos ainda têm muito a oferecer ao público. "Fotografamos a distância, como se Marky Ramone fosse um animal selvagem", reflexionam, enquanto testemunham a influência do agora, do som e da conexão humana que supera quaisquer experiências superficiais.
Através de suas lentes, eles revelam a importância de se libertar das amarras contemporâneas e redescobrir a essência do ser, em um cenário que busca uma vida mais autêntica e cheia de experiências significativas.