Transformação Digital nas Aldeias Indígenas de Mato Grosso
A conectividade chega a mais de 60 Unidades Básicas de Saúde (UBS) que atendem até 16 aldeias indígenas em Mato Grosso, embora ainda não seja a realidade para todas as comunidades tradicionais. Segundo Osmar Rodrigues Aroenoguajiwu, coordenador do DSEI de Cuiabá e membro da etnia Boe-Bororo, a expectativa é usar a internet para otimizar a regulação e o agendamento de pacientes.
A Aposentadoria do Rádio e a Chegada da Internet
O rádio, um meio de comunicação tradicional e bastante utilizado, agora dá lugar à internet nas UBS. Até o ano passado, a comunicação para emergências na unidade do polo-base de Rondonópolis, por exemplo, era feita por um rádio amador. A instalação da rede de internet mudou essa dinâmica, permitindo um atendimento mais eficiente. "Antes era mais complicado e desafiador, pois todas as comunicações eram realizadas via rádio", comentou Aroenoguajiwu. Com a internet, a interação se tornou mais fácil e ágil.
Aumentando a Eficiência nos Atendimentos
A UBS realiza, em média, 200 atendimentos mensais, beneficiando cerca de 1.270 pessoas, sendo em sua maioria indígenas. Segundo Aroenoguajiwu, agora é possível acessar e armazenar dados de maneira mais conveniente, o que pode resultar na digitalização dos prontuários médicos. Essa evolução no atendimento é um passo significativo para a integração das culturas tradicionais com as inovações tecnológicas.
Impacto na Saúde da Comunidade
A conectividade não apenas melhora a eficiência dos atendimentos, mas também pode salvar vidas. Eliane Xunakalo, presidente da Federação dos Povos Indígenas do estado (Fepoi-MT), destacou a importância da internet: "Hoje em dia, tudo é feito por meio da internet. Acredito que isso é fundamental para um atendimento rápido, que pode, efetivamente, salvar vidas." Ela mencionou que as UBS têm registrado um aumento nas ocorrências de problemas respiratórios e de saúde entre crianças e idosos, o que torna a agilidade no atendimento ainda mais crucial.
Desafios ainda Persistem
No entanto, a realidade não é a mesma para todas as comunidades. Na aldeia Areião, que pertence à Terra Indígena Tereza Cristina, a cacique Luciene Bororo relatou que ainda não há internet disponível. No dia 22, Luciene enviou um pedido para a instalação de uma antena via satélite através do programa Wi-Fi Brasil. A distância da sede do posto de saúde torna as comunicações desafiadoras: "Aqui, dependendo da emergência, às vezes precisamos recorrer a familiares para chamar ajuda, especialmente à noite. Essa situação é complicada e, muitas vezes, precisamos sair de moto para pedir socorro", contou.