Crise Hídrica no Brasil: Gestão Rigorosa Recomendada Frente à Seca
A crise hídrica no Brasil, intensificada pelo desmatamento e pelas mudanças climáticas, mantém bacias hidrológicas do Sudeste e Centro-Oeste em níveis críticos. A recomendação do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) é que a gestão dos reservatórios seja considerada de acordo com o pior cenário possível de seca. As chuvas recentes, embora tenham trazido um alívio temporário, não foram suficientes para reverter a situação crítica dos recursos hídricos, afetando tanto o abastecimento de água quanto as tarifas de energia elétrica.
Segundo Marcelo Seluchi, meteorologista e coordenador de operações do Cemaden, "não choverá o bastante para recuperar reservatórios, especialmente no Sudeste". A estação seca está prestes a começar, e a previsão é de que dure até outubro, quando as chuvas devem retornar. Contudo, a expectativa é de que essa crise hídrica não se resolva tão logo, visto que muitos anos de baixa precipitação levaram à situação atual. Estudos demonstram que a evaporação em áreas com pastagens é de quatro a cinco vezes menor do que em áreas com vegetação nativa, enfatizando a importância da preservação florestal.
Situação Crítica das Bacias Brasileiras
A situação das bacias hidrográficas é alarmante. A Bacia do Rio Grande, por exemplo, apresenta o reservatório de Furnas com pouco mais de 30% de sua capacidade. No Sistema Cantareira, que atende a região metropolitana de São Paulo, os níveis estão em torno de 21% e 34% para as bacias do Rio Paraíba do Sul, quando o ideal seria entre 60% a 70% nessa época do ano.
Esta crise é um reflexo de anos consecutivos de pouca chuva e mudanças climáticas, que têm secado as nascentes e reduzido a umidade do solo. "Estamos longe de uma solução", destaca Adriana Cuartas, especialista em recursos hídricos. Ela alerta que, embora haja chuvas pontuais, elas não contribuem significativamente para a recuperação dos reservatórios, muitos dos quais ainda enfrentam problemas relacionados à erosão e assoreamento dos rios.
Os Efeitos do Desmatamento
A pesquisa indica que o desmatamento crescente, principalmente na Mata Atlântica e no Cerrado, tem um impacto direto na redução da umidade e, consequentemente, nas chuvas. O aumento das temperaturas e a diminuição das áreas de vegetação nativa dificultam a recuperação natural dos cursos d’água.
A preservação da vegetação é vital para a recuperação da água no subsolo. Um estudo publicado em 2025 revelou que regiões com mais de 50% de cobertura florestal conservam seus recursos hídricos de forma mais eficaz do que aquelas que são intensivamente desmatadas.
Danificação do Ciclo Hídrico Global
Recentemente, a ONU declarou a grave situação hídrica planetária, onde 75% da população vive em condições críticas de segurança hídrica. No Brasil, o cenário de escassez já é parte da realidade. O hidrólogo Marcus Suassuna destaca que grandes reservatórios podem levar de dois a três anos para se recuperar após períodos de seca intensa.
Conclusão: A Necessidade de Ação Conjunta
É evidente que a crise hídrica não surgiu do nada; é o resultado de um longo processo causado por mudanças climáticas e práticas insustentáveis. A solução passa pela gestão rigorosa dos recursos hídricos e uma mobilização social para a preservação ambiental e das florestas. Guilherme Karam, da Fundação Grupo Boticário, enfatiza a urgência da restauração de áreas desmatadas como uma medida crucial para lidar com as mudanças climáticas. Portanto, a união de esforços entre governantes, cientistas e a população é fundamental para superar essa adversidade que afeta a todos.