Crise no IBGE provoca nova onda de exonerações e preocupações
O clima de incerteza no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) se intensificou com duas novas exonerações que seguiram a demissão de Rebeca Palis e seu vice, Cristiano Martins. As saídas de Claudia Dionísio e Amanda Tavares, gerentes essenciais para o cálculo do Produto Interno Bruto (PIB), sinalizam uma retaliação e geram preocupações sobre a gestão de Márcio Pochmann, que foi escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo fontes próximas à instituição, a tensão interna tem aumentado desde a exoneração de Palis, que ocupava a coordenadoria de contas nacionais. Sua demissão, ocorrida na última segunda-feira, 19, foi marcada por críticas às propostas de reforma na estrutura do IBGE, as quais foram amplamente recebidas com desconfiança por parte dos servidores.
As alterações nas estatísticas relacionadas ao PIB visam incorporar transformações digitais que refletem na economia atual, mas a implementação dessas mudanças tem gerado descontentamento. O Sindicato Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras do IBGE (ASSIBGE-SN) já manifestou preocupações sobre os riscos que essas decisões podem trazer, colocando em xeque a soberania geoestatística do Brasil.
Uma carta divulgada pelo sindicato em janeiro de 2025 destacou a criação de uma fundação de direito privado para gerenciar a inovação tecnológica do IBGE, um movimento que ocorreu sem a consulta necessária a especialistas e à sociedade civil, criando um precedente perigoso para a influência de interesses privados nas operações do órgão.
Além das demissões recentes, há relatos de que as novas exonerações aumentaram o clima de medo entre outros gerentes e coordenadores, que temem retaliações semelhantes. A situação é tão delicada que a direção do IBGE considerou a possibilidade de transferir o planejamento do órgão para fora do Rio de Janeiro, onde se localiza a maioria dos servidores e gerentes.
Em um comunicado à imprensa, o IBGE confirmou as saídas de Claudia Dionísio e Amanda Tavares, enfatizando a importância de suas funções no cálculo do PIB e na atualização periódica da base de cálculo, que atualmente se encontra em processo de mudança, de 2010 para 2021. A instituição afirmou ainda que a transição entre a atual e a futura coordenação de contas nacionais está sendo feita de forma dialogada, com o compromisso de garantir o cumprimento do cronograma de trabalho e das divulgações programadas para 2026.
A continuidade da instabilidade dentro do IBGE levanta questões essenciais sobre a eficácia do sistema de produção de estatísticas no Brasil e a necessidade de uma gestão que promova a transparência e o diálogo entre os servidores e a administração superior.