Eric Schmidt alerta para falta de estratégia de IA na Europa
Eric Schmidt, ex-líder do Google, enfatizou a necessidade urgente de uma estratégia robusta de inteligência artificial (IA) na Europa durante um recente encontro em Davos. Schmidt, que desempenhou funções primordiais na gigante de tecnologia entre 2001 e 2017, advertiu que, caso o continente não invista pesadamente em modelos próprios de IA, poderá acabar utilizando soluções chinesas.
Em sua declaração, o executivo destacou que "Europa não tem uma estratégia de IA" e que, a menos que invista de forma significativa em desenvolvimentos próprios, a tendência será uma aceitação passiva dos modelos desenvolvidos na China. Ele ressaltou: "É realmente importante que Europa desenvolva um modelo aberto. As empresas dos EUA estão se movendo em direção a modelos de código fechado, que são comercializados. Por outro lado, a China adota predominantemente um modelo de código aberto. Se a Europa não agir, poderá enfrentar uma realidade onde depende dos modelos chineses, o que não seria um cenário ideal para o continente".
A falta de centros de dados robustos e as questões relacionadas ao custo de energia na Europa foram mencionadas como barreiras adicionais na luta pela liderança em IA. Schmidt reconheceu que, embora exista um talento técnico excepcional na região, ele é insuficiente sem o suporte financeiro necessário. Ele afirmou: "Para conseguir isso, a Europa precisa resolver o problema de preços de energia e precisa de muito capital e hardware para viabilizar a sua estratégia de IA".
Desafios e Oportunidades na IA
A visão de Schmidt destaca um dilema mais amplo sobre as estratégias distintas adotadas por atores globais em IA. Ele compara a abordagem dos EUA, que busca a inteligência artificial geral (AGI), com a estratégia chinesa, que a aplica em todos os segmentos da sociedade. "São estratégias diferentes e com potencialidades distintas", afirmou Schmidt.
A necessidade de uma ação comum na Europa foi também abordada durante o painel, onde Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), mencionou que "a IA é intensiva em capital, energia e dados. Ela prospera em um ambiente com abundância desses recursos". A combinação de esforço coletivo e definição de novas regras do jogo, segundo Lagarde, é crucial para garantir que a Europa não fique para trás na corrida por inovações em IA.
No que diz respeito ao avanço da AGI, Schmidt expressou ceticismo sobre previsões otimistas. Ele mencionou que muitas vozes na indústria, principalmente em São Francisco, acreditam que a AGI será alcançada dentro de dois ou três anos. "Eu chamo isso de 'consenso de São Francisco', mas eu não compartilho dessa visão. Acredito que levará mais tempo do que se imagina", declarou.
O Futuro da Superinteligência
A questão da superinteligência, que é definida como quando sistemas computacionais superam a inteligência humana, foi também abordada por Schmidt. Ele previu que esse desenvolvimento pode levar entre 10 a 20 anos. "Estamos passando do processamento de linguagem para o raciocínio, que envolve resolver problemas. O próximo grande passo será sistemas que possam escolher em quais problemas trabalhar, levando eventualmente à superinteligência".
As tensões geopolíticas e suas implicações para a IA foram temas recorrentes nas discussões em Davos, refletindo a crescente interconexão entre tecnologia e política. A presença de figuras proeminentes no setor tecnológico, como Elon Musk e Peter Thiel, também destacou o relacionamento intricadamente ligado das inovações em IA com as políticas do governo dos EUA, especialmente em contratos com o Pentágono relacionados a software e IA.