Trump destaca libertações de presos políticos em Venezuela
No cenário político conturbado da Venezuela, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elogiou o que chamou de "ritmo rápido" de libertações de presos políticos, após a intervenção militar realizada no país em janeiro de 2026. Enquanto isso, familiares e defensores de direitos humanos exigem mais transparência e clareza em relação ao processo de libertação, que apresenta discrepâncias significativas entre os números oficializados pelo governo venezuelano e as estimativas de organizações não governamentais.
Desde o dia 8 de janeiro, quando o governo do presidente Nicolás Maduro anunciou um gesto de abertura com a libertação de presos, a situação nas prisões do país se deteriorou. De acordo com as autoridades chavistas, mais de 800 presos foram liberados, enquanto organizações de direitos humanos confirmam apenas cerca de 276 libertações.
"Me complace informar que Venezuela está liberando a sus presos políticos a un ritmo rápido", afirmou Trump em sua rede social Truth, reconhecendo o gesto como humanitário.
Contudo, a euforia de Trump contrasta com o desespero vivido nas prisões, onde familiares de detentos protestam por informações. Evelis Cano, mãe de um dos presos políticos, acampou há mais de 15 dias em frente à sede da Zona 7 da Polícia Nacional Bolivariana, em Caracas, clamando por notícias sobre seu filho. "Aqui o que tem ocorrido é um silêncio que nos tem desesperados", relatou em um vídeo amplamente compartilhado nas redes sociais.
Os defensores de direitos humanos apontam que, apesar das libertações anunciadas, muitos dos liberados ainda enfrentam processos judiciais em curso, o que torna a 'libertação' incompleta. Um exemplo é o jornalista Ramón Centeno, que deixou a prisão em uma cadeira de rodas devido ao estado crítico de saúde em que se encontrava, mas teve que se apresentar no tribunal logo após sua libertação.