Trump e a nova era de influências em Centroamérica
No cenário político da América Central, as sombras da interferência dos Estados Unidos ressurgem sob a liderança do ex-presidente Donald Trump. Sua reeleição em 2025 e a subsequente política de pressão sobre a região reacenderam memórias históricas de intervenções americanas, direcionando a política a um novamente foco na dominação e controle geopolítico.
Recentemente, Trump questionou publicamente o controle do Canal do Panamá, o que despertou alarmes não apenas na região, mas também nas esferas de influência política de Washington. Este movimento é visto como parte de um padrão mais amplo, onde a América Central é considerada menos um parceiro estratégico e mais um 'pátio traseiro' que deve ser estritamente controlado.
A região ainda carrega cicatrizes das intervenções passadas dos EUA, que remontam ao século XIX. Os relatos são extensos: desde a intervenção em Nicaragua em 1909, que resultou na instalação de um governo títere, até a armadilha mortal dos contras na Guatemala e a invasão do Panamá em 1989, quando os EUA depuseram Manuel Noriega à custa de muitas vidas civis. Essas são apenas algumas das diversas operações que moldaram o panorama político e social da região.
Com o retorno de Trump, a estrutura de coerção tornou-se ainda mais evidente. Especialistas em relações internacionais afirmam que essa nova abordagem visa contrabalançar a crescente influência da China, que se estabeleceu como um jogador significativo em jornadas comerciais cruciais na região. A interpretação contemporânea da Doutrina Monroe, adaptada para o contexto atual, é vista como uma 'Doutrina Trump', que assume uma forma de coerção tanto econômica como política.
Esta política de intervenção se intensificou logo após a reeleição de Trump, ao apoiar abertamente candidatos conservadores nas eleições de Honduras, como Nasry Asfura. A intervenção explícita de Trump no processo eleitoral, que incluiu até mesmo o indulto de um ex-presidente condenado por vínculos com o narcotráfico, abalou o ambiente político do país e levantou preocupações sobre a verdadeira natureza do apoio americano à democracia.
A relação entre os EUA e a América Central é complexa. Apesar da imagem de apoiador dos direitos humanos que a administração americana promovia nos 15 anos anteriores, a atual abordagem parece retornar ao desperdício e ao abandono da promoção de instituições democráticas. Especialistas, como Katya Salazar, alertam que a interferência norte-americana não é apenas uma questão de história, mas um grave retrocesso democrático.
A próxima batalha de influência dos EUA pode ocorrer em Costa Rica, onde o governo se encontra sob crescente pressão. As próximas eleições no país poderão mostrar a continuidade ou ruptura da política de alinhamento com os interesses norte-americanos. Nas circunstâncias atuais, a Costa Rica se tornou um campo de batalha pela 'democracia' sob a ótica de Washington.
Nayib Bukele, presidente de El Salvador, é visto como um aliado ideal para os EUA, enquanto Daniel Ortega, da Nicarágua, tem sido o pato feio, sob um olhar crítico internacional. Embora com um histórico de repressão, Ortega mantém alguma cooperação com Washington, evitando a ira de Trump apenas através de acordos que visam o combate ao narcotráfico. Contudo, mesmo este delicado equilíbrio pode estar se desfazendo, uma vez que a pressão sobre a Nicarágua começa a aumentar.
Assim, a terminologia da intervenção volta a ser usada. Com uma política de intervenção mais ofensiva, a América Central não seria mais uma coleção de nações soberanas, mas um tabuleiro de jogos estratégicos para os EUA. O futuro do relacionamento entre essas nações e seu vizinho do norte permanecerá sob vigilância, à medida que a história desta região continua a evoluir sob as sombras das intervenções passadas de Washington.