Tragédia em mina de coltan na República Democrática do Congo
Mais de 200 pessoas perderam a vida na madrugada de quarta-feira, 31 de janeiro de 2026, após o colapso de uma mina de coltan na região de Rubaya, controlada por rebeldes. Um deslizamento de terra, provocado por chuvas intensas, resultou no trágico acidente, deixando também 20 feridos, conforme informou Lumumba Kamberee Muyisa, porta-voz do governador da província de Kivu do Norte.
A mina de Rubaya, a aproximadamente 50 quilômetros ao noroeste de Goma, é um local com alta atividade de mineração artesanal, onde muitos trabalhadores, incluindo crianças e mulheres que vendem produtos no mercado local, se encontram nas profundezas da terra. "Estamos na temporada de chuvas. O solo é frágil. O terreno cedeu enquanto as vítimas estavam no interior", afirmou Muyisa.
Bahati Musanga Eraston, governador designado pelos rebeldes do M23, visitou o local do acidente para demonstrar solidariedade com as vítimas e determinou a evacuação das casas em áreas de risco. Ele também se comprometeu a cobrir os custos de saúde dos feridos, que estão sendo atendidos em centros de saúde locais e hospitais em Goma. Uma decisão foi tomada para proibir a entrada de mulheres grávidas e crianças em áreas de mineração devido ao crescente número de acidentes.
Sobreviventes relataram momentos de desespero, com alguns indicando que, dois dias após o acidente, muitas vítimas, vivas ou não, permaneciam soterradas. Acidentes dessa magnitude são frequentes na República Democrática do Congo, com registros anteriores de deslizamentos fatais. Por exemplo, em 15 de novembro, 32 pessoas perderam a vida em um incidente similar na província de Lualaba.
A mina de Rubaya é conhecida por produzir anualmente cerca de mil toneladas de coltan, representando metade da produção nacional e 15% da produção global do mineral, essencial para a fabricação de eletrônicos. Desde abril de 2024, a área de mineração tem estado sob controle dos rebeldes do M23, e aproximadamente 10.000 pessoas trabalham no local, muitas sem as mínimas condições de segurança e envolvendo menores de idade.
O coltan extraído em Rubaya é frequentemente contrabandeado para Ruanda antes de seguir para outros mercados internacionais, como denunciado tanto pelo governo congolês quanto pela ONU. Um relatório da Organização das Nações Unidas destacou que há um aumento no risco de fraude transfronteiriça, com indícios de que o coltan controlado pelo M23 esteja sendo contrabandeado ilegalmente. O contrabando deste mineral traz ao grupo rebelde receitas estimadas em pelo menos 800.000 dólares mensais, sustentando suas operações na região.
O conflito no noroeste do Congo, que se arrasta por três décadas, está intimamente ligado ao controle de recursos minerais estratégicos como o coltan. Em 2024, a situação se agravou quando o M23, com apoio de Ruanda, lançou uma ofensiva que culminou na captura de cidades chave como Goma e Bukavu. Apesar de um acordo de paz assinado em dezembro de 2024 entre os líderes congolês e ruandês, os combates continuam. Congo e Ruanda prometeram facilitar o acesso de seus recursos minerais a investidores americanos, após a mediação dos Estados Unidos.