Philippe Sands discute a política internacional e os direitos humanos
O renomado escritor e especialista em direitos humanos, Philippe Sands, participou recentemente do Hay Festival em Cartagena, Colômbia. Sua presença na cidade acontece em um momento delicado, especialmente após as recentes ações dos Estados Unidos contra Nicolás Maduro, o presidente da Venezuela, que Sands não hesita em qualificar como um secuestro.
Durante a conversa, que ocorreu em um ambiente incomum para um especialista em direito internacional — o claustro de um hotel colonial — Sands ainda tinha seu computador aberto, acompanhando em tempo real o jogo entre Arsenal e Leeds United. Porém, seu entusiasmo pelo futebol foi rapidamente ofuscado quando ele compartilhou uma novidade mais significativa para ele: a tradução em árabe de seu livro "Calle Este Oeste", que representa, segundo ele, um acesso a outra civilização.
Pergunta: “O que opina sobre o que aconteceu na Venezuela nas últimas semanas?”
Resposta: "Sem dúvida alguma, é um secuestro, um rapto que não está protegido de maneira alguma pelo direito internacional. Não há justificação jurídica para esse tipo de ato. Existem sinais de que Delcy Rodríguez e seu grupo no poder em Venezuela puderam de alguma forma negociar com Trump, mas isso não posso afirmar com certeza. Contudo, percebo que eles estão jogando um jogo de longo prazo, esperando que Trump eventualmente saia, enquanto eles permanecem no poder."
Sands ouviu de várias pessoas presentes no festival que a sensação no país é de medo e incerteza. "O que escuto é uma angústia crescente sobre o futuro, e uma constante preocupação sobre possíveis retrocessos a qualquer momento", afirmou.
Pergunta: “E Trump poderia, de alguma maneira, frear essa situação?”
Resposta: "Não creio. A principal preocupação de Trump é o petróleo, isso ficou claro. Não está interessado em promover um governo aberto e funcional, mas sim em garantir interesses estratégicos concretos."
Pergunta: “Você acredita que Trump representa uma mudança profunda na sociedade americana?”
Resposta: "Não sou especialista nem profeta, mas sinto que o quadro ainda está aberto. As eleições de meio de mandato estão por vir e o resultado é incerto. Nada está definido ainda."
Quando questionado sobre o futuro do direito internacional, Sands se mostrou otimista. "O direito internacional não vai desaparecer. O que está realmente em jogo é o multilateralismo. O exemplo de Trump, quando ele busca uma resolução da ONU para intervir em uma crise, demonstra que ainda há uma estrutura que precisa ser respeitada."