Suspendido o Fim do Estatus de Proteção Temporal para Haitianos
Uma juíza federal dos Estados Unidos bloqueou temporariamente a decisão do Departamento de Segurança Nacional (DHS) de acabar com o Estatus de Proteção Temporal (TPS) para cerca de 350 mil haitianos. A decisão veio em um momento crítico, enquanto uma ação judicial avança contra a administração do ex-presidente Donald Trump.
A juíza Ana Reyes, do Tribunal Federal do Distrito de Columbia, determinou que a secretária de Segurança Nacional, Kristi Noem, desconsiderou requisitos legais ao não consultar outras agências e ao não avaliar adequadamente as condições humanitárias em Haiti. O TPS é um programa que permite aos haitianos viverem e trabalharem legalmente nos Estados Unidos desde seu lançamento após o terremoto devastador de 2010.
O cessar do programa, que estava agendado para a terça-feira, 3 de fevereiro, teria um impacto significativo, deixando no limbo migratório centenas de milhares de haitianos, muitos dos quais vivem nos EUA há anos. A juíza Reyes enfatizou que a decisão do governo causaria danos irreparáveis e exporia os haitianos a riscos extremos, considerando a grave situação de segurança e a crise humanitária que persiste no Haiti.
A ação judicial foi movida em julho por um grupo de haitianos que alegou que a administração atuou de maneira ilícita ao encerrar o TPS, citando evidências de discriminação racial e desconsideração das realidades enfrentadas por haitianos. Os demandantes argumentam que a decisão não foi baseada em uma análise genuína das condições no Haiti, que continua sendo um dos países mais perigosos do mundo.
Condições Humanitárias no Haiti
Haiti tem enfrentado uma profunda crise econômica, social e política, exacerbada pelo assassinato do presidente Jovenel Moïse em 2021 e o aumento do controle de gangues e grupos paramilitares. De acordo com organizações de direitos humanos, mais da metade da população enfrenta fome aguda, e o sistema de saúde do país colapsou.
O Conselho de Segurança da ONU autorizou em 2023 o envio de uma força multinacional de segurança para conter a violência, mas os problemas estruturais do país ainda não foram resolvidos. Nesse cenário, o Departamento de Estado dos EUA recomenda que seus cidadãos não viajem para o Haiti e que deixem o país se lá estiverem.
A comunidade haitiana nos Estados Unidos expressa profunda preocupação sobre as implicações da conclusão do TPS. No sul da Flórida, onde vivem mais de 150 mil haitianos, líderes comunitários evidenciam que a medida poderia ter consequências econômicas devastadoras e é injusta para milhares de famílias que contribuíram para a sociedade americana.