Gustavo Petro e Donald Trump: Encontro Que Marcará a Eleição na Colômbia
A tão esperada reunião entre o presidente colombiano Gustavo Petro e o ex-presidente americano Donald Trump ocorreu na Casa Branca, superando as expectativas de muitos e trazendo novos ares para a política colombiana em meio à pré-campanha eleitoral.
O encontro foi cercado de incertezas. Há semanas, especulava-se mais sobre o que poderia dar errado do que sobre os potenciais benefícios. Com duas figuras políticas conhecidas por suas posturas imprevisíveis, a expectativa era de que a reunião poderia descambar em um conflito. Contudo, ao contrário do que muitos previam, a reunião foi considerada um sucesso. Trump foi claro ao declarar: “Foi fantástica”, enquanto Petro elogiou a franqueza americana.
Os laços entre os EUA e a Colômbia são cruciais e historicamente baseados em cooperação militar, que já desempenhou um papel vital na negociação com a guerrilha das FARC. A relação, apesar de ter sofrido oscilações ao longo do tempo, é um fator importante frente ao aumento da violência na Colômbia, onde a tecnologia e inteligência dos EUA se tornam necessárias para combater o narcotráfico e a criminalidade.
Além disso, a relação econômica entre os dois países é fundamental. A Colômbia se beneficia das remessas enviadas por cerca de três milhões de colombianos que vivem nos EUA, totalizando mais de 13 bilhões de dólares por ano. O país também envia cerca de 30% de suas exportações para o norte, e a administração dos EUA vê na Colômbia um aliado estratégico na luta contra o narcotráfico, especialmente em uma região marcada por tensões políticas, como a Venezuela.
Ao sair da Casa Branca, a imagem de Gustavo Petro foi fortalecida. Em seus poucos meses restantes de mandato, ele conseguiu evitar o que muitos temiam: ser alvo de ridículo ou uma cena embaraçosa. Com as eleições presidenciais se aproximando, o resultado positivo dessa reunião poderá beneficiar qualquer um dos candidatos da esquerda que lhe suceder. A abordagem mais pragmática de Petro pode ter ajudado a amenizar medos e incertezas em relação a um eventual confronto com os EUA, um tema que ele mesmo levantou em suas declarações anteriores.
Pesquisas mostram que a população colombiana valoriza a manutenção de boas relações com Washington. Para 81% dos colombianos, é importante que o próximo presidente continue a dialogar com os EUA. Mesmo setores que tradicionalmente apresentam resistência ao imperialismo americano, como parte do eleitorado de Petro, demonstram preocupações com possíveis consequências negativas de uma relação tensa. O recente histórico de conflitos na Venezuela, onde Trump mostrou disposição em agir, gerou incertezas que foram sensivelmente elaboradas por Petro durante suas declarações.
O encontro na Casa Branca não foi algo improvisado. A delegação colombiana se preparou meticulosamente, desde as roupas até os tópicos que deveriam ser abordados. A reunião é o resultado de meses de preparação e contatos intensificados após uma chamada em 7 de janeiro que estabeleceu as bases para a reconciliação. O diálogo foi focado em propostas concretas e evitar provocações.
Durante a reunião, Petro apresentou um lado mais prático e menos ideológico, buscando apoio para mediações regionais e prometendo cooperação em áreas energéticas. Embora não tenha abordado diretamente sua inclusão na lista Clinton, a expectativa é de que este tema também encontre resolução.
O alívio foi palpável após a reunião, especialmente considerando a tensão prévia. Para a direita política colombiana, o impacto é imediato. A oposição perdeu um dos principais pontos de ataque durante a campanha legislativa, necessitando reorientar suas estratégias.
A chave agora será observar como os próximos desafios surgirão na política colombiana, principalmente com as eleições presidenciais se aproximando.