Disputa por vaga ao Senado em Pernambuco mobiliza diferentes grupos
A corrida por uma vaga ao Senado na chapa de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Pernambuco está se intensificando, reunindo figuras como a ex-petista Marília Arraes, o ministro de Portos e Aeroportos Silvio Costa Filho (Republicanos), e várias lideranças do Centrão. Com o senador Humberto Costa (PT) buscando reeleição, a disputa pela segunda vaga está cercada de negociações e tensões entre os partidos.
Os últimos desdobramentos políticos indicam que Marília Arraes se destaca nas pesquisas, mas sua filiação à Solidariedade tem gerado resistência, complicando suas possibilidades. Outros nomes como Miguel Coelho (União Brasil) e Eduardo da Fonte (PP) também estão na corrida, enquanto o apoio de Lula está em jogo, refletindo não apenas na dinâmica estadual, mas também em sua aliança com partidos como PSB e PSD.
Nos bastidores, a expectativa é de que Lula prefira apoiar o prefeito do Recife, João Campos. Contudo, discussões com o PSD nacional podem alterar o cenário pois a atual governadora, Raquel Lyra, se filiou ao partido, criando tensões internas no PT e demandando uma possível configuração de um palanque duplo.
"Em Pernambuco, a tendência é que haja um entendimento em torno de apoiar Campos para o governo e, consequentemente, a segunda vaga ao Senado seja discutida nesse contexto", observou um interlocutor da aliança. Campos mantém boas relações com Marília, sua prima, e com Sílvio Costa Filho, mas há uma resistência maior em relação ao nome de Coelho, visto como próximo ao bolsonarismo.
A primeira pesquisa Datafolha deste ano mostrou Marília Arraes liderando com uma ampla margem, entre 36% e 41% das intenções de voto, enquanto Humberto Costa aparece na segunda posição com percentuais entre 24% e 26%, evidenciando sua influência contínua na política local, apesar de sua saída do PT em 2022 em meio a disputas internas.
Marília anunciou sua pré-candidatura ao Senado em um evento que contou com a presença de Campos. No entanto, para aliados do prefeito, a sua permanência em um partido menos abrangente pode dificultar as negociações eleitorais. "Eu e João sempre tivemos uma relação de respeito e agora, com a necessidade de unirmos forças contra o bolsonarismo, nossa parceria se fortaleceu", diz Marília, que acredita estar confirmada na chapa apoiada por Lula.
Enquanto isso, o ministro Silvio Costa Filho é considerado uma escolha favorável tanto por setores do PT quanto por Campos, devido às suas alianças políticas. No entanto, sua baixa performance nas pesquisas eleitorais – variando entre 10% e 13% – representa um desafio. "Pretendo estar ao lado de Humberto Costa em sua reeleição para o Senado. Nossas discussões internas estão a caminho e a finalidade é apoiar Campos", comentou o ministro, desconversando sobre sua candidatura ao Senado.
Petistas delineiam a preferência por Eduardo da Fonte como o candidato à segunda vaga, mas suas ligações com Raquel Lyra tornam essa escolha delicada. O presidente estadual do PT, Carlos Veras, enfatizou a importância de incluir um nome da federação na chapa: “Tanto Campos quanto Lyra valorizam a presença de um nome da federação na chapa, dada a relevância política desses partidos em Pernambuco.”
Humberto Costa, por sua vez, destacou que sua prioridade é a reeleição de Lula e garantir o máximo de senadores eleitos no Nordeste. Ele reiterou que a busca por um segundo nome para a chapa nacional objetiva o fortalecimento da base de governo em caso de vitória do presidente.
— Queremos um segundo nome para a chapa que apoie a candidatura de Lula e se comprometa a ser base do governo caso ele seja eleito, afirmou o senador.
Com a discussão em andamento e múltiplas alianças sendo forjadas, a corrida ao Senado em Pernambuco promete ser um dos principais temas da política estadual nos próximos meses, refletindo as complexidades das alianças em uma eleição onde a influência do presidente Lula será fundamental.