Desdobramentos na Venezuela: Zapatero e Delcy Rodríguez dialogam sobre amnistia
A crise política na Venezuela tem ganhado novos contornos com a recente visita do ex-presidente espanhol José Luis Rodríguez Zapatero a Caracas. O político, que anteriormente havia deixado a cidade frustrado após tentativas infrutíferas de negociar a liberação de presos políticos, retornou para participar de diálogos entre o governo de Nicolás Maduro e setores da sociedade venezuelana. O contexto atual é marcado pela ausência do próprio Maduro, que foi capturado em janeiro, e pela nova postura da vice-presidente Delcy Rodríguez.
Zapatero desembarcou em Caracas na última sexta-feira e destacou a importância do momento que o país está vivendo. “Este é um dos momentos mais interessantes do país. Está começando a mudar, a mentalidade das pessoas está se transformando”, afirmou em conversa com seus assessores. Ele alerta, no entanto, que o processo será longo e que escutar e reconhecer são atitudes essenciais nesse diálogo.
A captura de Maduro trouxe uma onda de esperança e ceticismo na Venezuela. Desde a sua saída de cena, a vice-presidente Delcy Rodríguez iniciou um processo que visa a reconstrução política e social do país, embora as incertezas ainda persistam. Contudo, sua postura tem sido diferente da de seu antecessor, despertando expectativas quanto a um possível avanço democrático.
Recentemente, ocorreram excarcelamentos simbólicos, incluindo figuras próximas à opositora Maria Corina Machado, que tomou as ruas clamando pela liberdade de todos os presos políticos. Este cenário, impensável há poucos meses, levanta questões sobre a autenticidade das mudanças propostas pelo governo.
Entre os críticos de Zapatero estão membros da direita espanhola e da oposição venezuelana, que frequentemente questionam a eficácia de suas ações e diálogo com o governo. Apesar disso, o ex-presidente se mantém otimista, afirmando que sua relação com Delcy Rodríguez é de confiança e que estão em contato quase diário.
A agenda de Zapatero em Caracas foi repleta de reuniões, totalizando oito encontros, a maioria com líderes da oposição. Entre os seus interlocutores estavam Henrique Capriles e Henry Ramos. Essa rotina foi resultado da convite formal feito pelo ministro de Cultura, Ernesto Villegas, que lidera uma iniciativa para promover o diálogo e a paz no país.
A nova lei de amnistia, uma das questões mais debatidas atualmente, foi anunciada por Delcy Rodríguez como um meio para a pacificação e sua aprovação está programada para ocorrer em breve. No entanto, há preocupações de que a proposta limite as excarcelacões a apenas certos episódios de convulsão social, deixando de fora muitos prisioneiros políticos.
Durante suas conversas, Zapatero expressou otimismo a respeito da ambição da nova lei, que poderia marcar uma mudança significativa no cenário atual. Realizou a previsão de que o debate sobre a amnistia ocorrerá esta semana, prometendo novas reformas que visam a melhoria do sistema judicial e penitenciário do país.
“As reformas podem ser a única maneira de desativar o ceticismo existente”, destacou Zapatero, enfatizando a necessidade de uma reestruturação profunda nas políticas do país para lidar com a crise econômica e social que aflige a Venezuela há anos.