Investigação em curso após tragédia em academia paulista
\nUma aula de natação em uma academia no Parque São Lucas, na Zona Leste de São Paulo, resultou em um incidente trágico que deixou uma vítima fatal e várias pessoas intoxicadas. Juliana Faustino Bassetto, de 27 anos, veio a falecer após apresentar mal-estar durante a atividade aquática. Outros cinco alunos, incluindo um adolescente e o marido de Juliana, também relataram sintomas de intoxicação, levando a uma investigação por parte das autoridades locais.
\nDe acordo com informações da Polícia, o manobrista Severino José da Silva, responsável pela manutenção da piscina, revelou que o proprietário da academia, identificado como Celso, o alertou sobre as investigações. Severino relatou que, em uma ligação feita no domingo após o incidente, o proprietário pediu que ele se afastasse de casa devido à pressão policial, declarando: “Vai, sai de casa que a polícia está batendo na porta de todo mundo”.
\nO acidente ocorreu no último sábado (7), quando Juliana começou a passar mal durante a aula de natação. Severino afirmou que, ao notar que alunos estavam apresentando dificuldades, tentou contatar o dono da academia, mas não obteve retorno imediato. Após a sala de aula ter sido evacuada, o responsável pela academia apenas respondeu: “Paciência”. Esse comentário gerou preocupação entre os envolvidos.
\nSegundo os depoimentos, Severino não tinha treinamento adequado para a manipulação de produtos químicos e não recebeu Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) necessários para a sua função, apesar de ter trabalhado na academia por cerca de três anos. Ele relatou que aprendia a conduzir as atividades de manutenção com o antigo manobrista e seguia ordens do proprietário, que frequentemente orientava sobre o uso de produtos químicos através de mensagens e fotos do estado da água.
\nNa quinta-feira que antecedeu o incidente, Severino percebeu que a água da piscina estava turva e informou ao proprietário. Na sexta-feira, mesmo com o problema evidente, ele foi instruído a aplicar apenas cloro. No sábado, novas orientações foram dadas sem a devida supervisão ou alteração na condição da água. Severino alegou que não despejou o produto químico diretamente na piscina, mas o preparou em um balde próximo à área de natação, causando o forte cheiro que precedeu a intoxicação dos presentes.
\nNo dia do incidente, após perceber a movimentação atípica e sentir o odor intenso de cloro, Severino se deparou com alunos em situação crítica. As vítimas foram socorridas com a ajuda de uma viatura da Guarda Civil Metropolitana, mas houve atrasos nas respostas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e do Corpo de Bombeiros, que não compareceram a tempo. Severino também relatou ter sentido dificuldade respiratória e irritação na garganta.
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