Desafios de Prefeitos que Buscam o Governo Estadual
O cenário atual das disputas eleitorais no Brasil revela um histórico desafiador para prefeitos que decidem abandonar seus mandatos para concorrer aos cargos de governador. Na última década, essas tentativas têm alcançado apenas 30% de sucesso, levantando debates relevantes sobre a conectividade entre eleitores e seus representantes.
Desde o ano 2000, apenas seis dos dezenove prefeitos que abandonaram suas funções conseguiram êxito nas urnas, destacando exemplos como João Doria e José Serra em São Paulo. Politólogos analisam que essa alta taxa de insucesso, de 70%, reflete a quebra do compromisso do mandatário com seus eleitores, uma vez que esses prefeitos assumem promessas ao iniciar seus mandatos.
Entre as figuras que buscam a corrida pelo governo estadual em 2026 estão Eduardo Paes, atual prefeito do Rio de Janeiro, e João Campos, de Recife. Ambos enfrentam legados que podem influenciar suas campanhas. Paes, precisando expandir seu apelo eleitoral para o interior fluminense, e Campos, contando com uma herança familiar que pode lhe garantir apoio fora da capital.
Histórico de Insucessos
As tentativas de prefeitos que se aventuram na política estatal têm se mostrado frequentemente frustrantes. Entre os casos de insucesso, torna-se evidente a trajetória do ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, que tentou a governadoria em Minas Gerais, mas foi derrotado pelo governador Romeu Zema no primeiro turno das eleições de 2022. Kalil, que volta a candidatar-se agora pelo PDT, demonstra que, apesar das derrotas, a ambição política persiste.
A presença de promessas não cumpridas também ecoa na trajetória de São Paulo. O caso de José Serra é emblemático, uma vez que, após deixar a prefeitura, obteve sucesso eleitoral, mas nunca se desvencilhou das promessas feitas em sua campanha municipal, onde se comprometeu a não abandonar a cidade. Essa pressão sobre os prefeitos é constantemente lembrada em novas campanhas.
A dinâmica de deixar a prefeitura para almejar uma posição mais alta não é comum apenas em São Paulo e Minas Gerais. Ao longo do Brasil, especialmente em outros estados menores, existe uma cultura de prefeitos de cidades pequenas que alcançam a tão almejada cadeira de governador, como aconteceu com Cássio Cunha Lima, que deixou a prefeitura de Campina Grande para governar a Paraíba.
O Cenário Atual da Eleição
Com as eleições municipais previamente em suas agendas, os prefeitos enfrentam a complexidade da política regional, além da pergunta constante: será uma boa estratégia deixar sua prefeitura por uma vaga já repleta de desafios e competidores? O atual clima político, que sempre oscila, se torna um importante aliado ou inimigo para aqueles que se dispõem a essa jornada.