O desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói, realizado no último domingo, gerou uma significativa repercussão nas redes sociais e uma nova ofensiva judicial por parte da oposição, que alega que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cometeu ilícitos eleitorais durante o evento. A discordância gira em torno da acusação de que o desfile configurou uma propaganda eleitoral antecipada, visando favorecer o petista na corrida pela reeleição programada para outubro.
O partido Novo e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que também é pré-candidato à presidência, informaram que vão acionar a Justiça Eleitoral para solicitar a inelegibilidade de Lula, acusando-o de campanha antecipada nas festividades da Sapucaí. Juristas estão divididos quanto à legalidade do evento, enquanto especialistas e advogados eleitorais destacam que o desfile não violou as normas eleitorais, conforme as argumentações ouvidas pelo jornal O Globo.
Durante este desfile, que não contou com a presença oficial de Lula como figura política, o presidente assistiu ao evento em um camarote, acompanhado pela primeira dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, e por cerca de oito ministros. A festa na Sapucaí, além de homenagear a trajetória política de Lula, também foi um espaço para expressões culturais e de festa para milhares de foliões.
Embora a Justiça Eleitoral tenha rejeitado, por unanimidade, pedidos de liminar para proibir o desfile sob a alegação de propaganda eleitoral antecipada, houve um aumento nas críticas nas redes sociais. Os dados coletados pela consultoria Bites mostram que mensagens negativas superaram as positivas, com 222 mil menções críticas contra 126 mil favoráveis ao evento, levantando um debate público acirrado fomentado por parlamentares opositores e influenciadores digitais.
A discussão sobre a legalidade ou não do desfile tem gerado opiniões divergentes entre os especialistas. O advogado eleitoral Eduardo Damian Duarte defende que a homenageação no desfile não constituiu campanha eleitoral, uma vez que não houve menção a pedidos diretos de voto ou referências a eleições. Para este advogado, a celebração exaltou a figura pública de Lula, sem configurar propaganda eleitoral ao abrigo da legislação vigente.
Contrapõe-se a essa análise a visão do advogado Guilherme Barcelos, que argumenta que o desfile incorporou elementos presentes em campanhas eleitorais, configurando assim uma propaganda antecipada. Ele menciona que questões da jornada de trabalho e da tributação foram abordadas no desfile, além da presença predominante de símbolos do Partido dos Trabalhadores.