Turistas tchecos detidos em Guarulhos por contrabando de cactos
Quatro turistas de nacionalidade tcheca foram presos no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, sob a acusação de contrabando de 100 cactos e 2 mil sementes dessas plantas, que foram retirados ilegalmente do Rio Grande do Sul. A operação foi realizada pela Polícia Federal (PF) em conjunto com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
As plantas estavam escondidas de maneira engenhosa em diferentes lugares: dentro das malas, em latas de bebida, nos sapatos de um dos turistas e até em sacos de papel. Essa apreensão levanta uma preocupação significativa em relação ao tráfico de plantas nativas do Brasil, especialmente quando essas espécies são protegidas por lei.
De acordo com os investigadores, a grande quantidade de cactos e sementes poderia ser destinada ao mercado internacional de jardinagem, onde as variedades nativas brasileiras são vistas como raridades e cobiçadas por colecionadores. Vale ressaltar que as espécies encontradas são consideradas ameaçadas e endêmicas, o que significa que só crescem em regiões específicas e pequenas, como o Rio Grande do Sul.
A atuação da PF e dos órgãos ambientais é fundamental para preservar a biodiversidade brasileira e combater práticas ilegais que prejudicam a flora local. Os turistas foram indiciados por contrabando, seguido pela infração da Lei de Crimes Ambientais, que tipifica como crime a retirada e o transporte de espécies da flora nativa sem a devida autorização.
O material apreendido será objeto de análise posterior por biólogos e especialistas, que poderão determinar a real extensão do impacto ambiental e os passos a serem seguidos em virtude da situação. Em entrevista, o biólogo Lucas Rocha, com formação pela UFRJ, afirmou que as plantas em questão são, de fato, raras e têm um papel significativo na jardinagem, tanto aqui quanto no exterior.
— Devem ser plantas muito raras e usadas na jardinagem. A questão também está no fato de elas só crescerem aqui. Pelo que li, tratava-se de cactos da flora nativa, provavelmente endêmicos e ameaçados, o que quer dizer que só crescem em poucos lugares bem específicos e pequenos, no caso o Rio Grande do Sul. As plantas nativas são protegidas por lei.
Além dos aspectos legais e ambientais, a ação também levanta discussões sobre biossegurança. Segundo Rocha, a introdução de organismos estrangeiros pode causar problemas sérios ao ecossistema local, impactando tanto a fauna quanto a flora. Essa apreensão é um exemplo claro da importância de se proteger nosso patrimônio natural e combater o contrabando que coloca em risco a biodiversidade do Brasil.