Colômbia intensifica segurança para eleições ameaçadas
A segurança se tornou prioridade absoluta na Colômbia, a apenas dias das eleições legislativas programadas para 8 de março de 2026. O clima de tensão se intensificou após o assassinato do político opositor Miguel Uribe Turbay no último verão, seguido por uma série de sequestros e ameaças constantes que têm atormentado a política do país.
Na noite anterior às eleições, o Ministro da Defesa, Pedro Sánchez, atravessava a cidade de Bogotá em alta velocidade para mais uma reunião crucial. Neste mesmo dia, dois candidatos ao Congresso haviam sido sequestrados, o que destaca o alarmante estado de alerta em que o país se encontra.
Na última segunda-feira, a tensão aumentou ainda mais quando o prefeito de Medellín e o governador de Antioquia cancelaram uma visita a uma das principais hidrelétricas do país, após denúncia de um possível plano de um grupo dissidente das FARC para um ataque com drones. Apesar de o Exército afirmar que o grupo possui essa capacidade, ele negou ter conhecimento da ameaça específica. “Estamos em uma situação complicada, pois a informação foi obtida tanto do Exército quanto dos integrantes do nosso esquema de segurança”, lamentou o prefeito Federico Gutiérrez, um crítico do presidente Gustavo Petro.
O clima de instabilidade já havia começado a tomar forma na semana anterior, quando dois candidatos ao Congresso desapareceram em áreas remotas do país. Seus sequestros — que ainda estão sendo investigados — se somaram à captura de uma senadora há três semanas, colocando todas as autoridades em estado de alerta. Embora ambos tenham sido liberados sem ferimentos, o aumento da preocupação é evidente à medida que as eleições da primeira e segunda voltas presidenciais se aproximam, agendadas para 31 de maio e 22 de junho, respectivamente.
Segundo fontes de segurança, a gravidade dos ataques contra políticos não necessariamente tem uma motivação eleitoral. Muitas regiões do país estão marcadas por economias ilegais, disputas territoriais e grupos armados que operam fora do calendário político. Além disso, há suspeitas de que alguns candidatos possam exagerar ou simular ameaças para ganhar notoriedade durante a campanha. As autoridades, em privado, reconhecem que devem abordar cada denúncia com cautela, evitando alimentar teorias conspiratórias sem desconsiderar os riscos reais.
O ciclo eleitoral atual é, assim, moldado não somente por uma série de incidentes, mas também pela memória recente do assassinato de Miguel Uribe Turbay, que sacudiu a política colombiana e alterou profundamente as dinâmicas eleitorais. Desde então, qualquer alerta, mesmo que impreciso, leva à ativação de protocolos de emergência e reuniões extraordinárias. O presidente Petro denunciou publicamente diversos planos para tirá-lo de cena, o que inseriu uma atmosfera de constante tensão.
No entanto, além das ameaças explícitas, existe uma preocupação com o controle social em muitos territórios, onde a presença de grupos armados influencia diretamente o processo eleitoral. Como destacou Javier Flórez, diretor do setor de Segurança e Conflito da Fundação Ideas para a Paz (FIP), essa influência é silenciosa mas devastadora. “Independentemente das campanhas, o voto já está decidido onde a força prevalece. É alarmante que um número estimado de 1,5 a 2 milhões de pessoas possam estar sob risco de violência eleitoral”, afirmou Flórez.
Faltando poucos dias para as eleições, o governo reafirma seu compromisso em garantir a segurança no processo. Segundo o ministro da Defesa, 246.000 militares estarão de plantão para proteger 12.264 locais de votação, a maioria deles em áreas rurais. Um reforço adicional na proteção e em sistemas de defesa contra possíveis ataques também foi prometido. A mensagem do governo é clara: nenhuma tentativa de violentar a ordem pública será tolerada, enquanto o ministro se prepara para mais reuniões importantes nas noites que antecedem o pleito.