Três cidades enfrentam crises nas UTIs
Hospitais em Rio Claro, Araraquara e São Carlos, no estado de São Paulo, estão com 100% de ocupação em seus leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulto, resultando em atrasos em cirurgias essenciais e gerando grande angústia tanto para pacientes quanto para seus familiares. Esta situação alarmante evidencia a sobrecarga dos serviços de saúde na região.
A aposentada Gilda Mattos, de 87 anos, residente em Rio Claro, se tornou uma das muitas vítimas desse colapso. Após sofrer uma fratura no fêmur, ela foi socorrida, atendida na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Cervezão e encaminhada ao Hospital São Lucas, onde foi programada para realizar uma cirurgia. No entanto, a operação foi cancelada em duas ocasiões devido à falta de vagas na UTI. Sem conseguir se alimentar e sem acesso aos medicamentos necessários para seu tratamento de pressão e diabetes, Gilda viveu momentos críticos de espera.
A situação na Santa Casa de Rio Claro é ainda mais grave. A instituição conta com apenas 19 leitos de UTI, dos quais 10 são destinados a adultos, e todos estão ocupados. As outras 7 vagas são para recém-nascidos, que atualmente estão desocupadas. Entretanto, mesmo essas vagas não podem ser aproveitadas para adultos, dada a gravidade da situação de saúde atual. Informações internas indicam que, embora existam leitos cardíacos em fase de implantação, estes ainda não estão em operação devido a um contrato pendente com a prefeitura.
O drama de Gilda não é um caso isolado. Em Araraquara, a Santa Casa local mantém 24 leitos de UTI, todos ocupados, o que agrava ainda mais a crise na saúde da região. Araras também enfrenta problemas com 11 leitos adultos e quatro para cirurgias cardíacas ocupados em 73%. Apenas três leitos pediátricos e quatro para recém-nascidos estão livres, mas com a taxa de ocupação total elevada.
Na Santa Casa de São Carlos, a situação é igualmente preocupante, com as 30 vagas de UTI adultas ocupadas, deixando apenas as opções pediátricas e cardíacas, que também não estão em atuação plena.
As famílias afetadas buscam alternativas, registrando boletins de ocorrência e solicitando apoio psicológico que muitas vezes não é disponibilizado. A história de Gilda serve como um triste exemplo do que estão enfrentando muitas outras famílias que dependem do sistema público de saúde em um momento crítico.
As autoridades precisam urgentemente abordar a questão da capacidade de atendimento nas UTIs e encontrar soluções para resgatar a dignidade e a saúde dos pacientes que dependem destes serviços essenciais.