Guerra no Oriente Médio pressiona preços de alimentos no Brasil
O atual conflito no Oriente Médio pode resultar em um aumento significativo nos preços dos alimentos no Brasil. Isso se deve ao fato de que o país é amplamente dependente da importação de fertilizantes, cujas cotações já estão em ascensão no mercado internacional. Além disso, os custos de transporte marítimo e do diesel também devem sofrer um impacto considerável. Economistas alertam que esse cenário pode afetar a produção agrícola brasileira e, consequentemente, o consumidor final.
Com o conflito envolvendo o Irã e os Estados Unidos, os custos de produção agrícola já começaram a subir em menos de uma semana de combate. De acordo com economistas, embora o aumento dos fertilizantes impacte imediatamente os produtores, o efeito sobre os consumidores pode demorar alguns meses para se manifestar. O adubo utilizado atualmente já foi adquirido, e a escalada dos preços está cada vez mais evidente.
- Fertilizantes: A agricultura brasileira é altamente dependente de adubos importados, muitos dos quais provêm do Oriente Médio, responsável por 40% das exportações mundiais de ureia.
- Transporte marítimo: O fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas comerciais do planeta, obligou a redirigir rotas de navios, aumentando assim os custos de frete.
- Diesel: A região também é uma grande fornecedora de petróleo, o que pode encarecer o diesel e impactar tanto a operação das máquinas agrícolas quanto o transporte de alimentos.
Consequências para os produtores e consumidores
A elevação dos custos ocorre em um momento já desafiador para os produtores brasileiros, que enfrentam juros altos e dificuldades em obter crédito. Segundo Leandro Gilio, pesquisador no Insper Agro Global, o real impacto do conflito na produção agrícola ainda é incerto e depende do tempo de duração das hostilidades. Entretanto, para os consumidores, essa alta pode levar meses para ser perceptível.
Felippe Serigati, da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Agro, acrescenta que existem outras variáveis que podem atenuar esse efeito, como a queda do dólar e condições climáticas favoráveis à produção agrícola.
O papel do Oriente Médio no mercado de fertilizantes
O Oriente Médio é crucial para a cadeia de fertilizantes que abastece o Brasil, ocupando a quarta posição em todo o mundo, após Europa, Ásia e África. Embora individualmente países como a Arábia Saudita e o Irã estejam em posições mais baixas no ranking de fornecedores, a região como um todo é vital, respondendo por uma fatia significativa do mercado global. A reação rápida dos preços após o início do conflito, com altas de 10% a 12% em um só dia, é um indicativo da sensibilidade do mercado.
Impactos nas safras brasileiras
O aumento no custo dos fertilizantes e insumos deverá impactar especialmente as safras que são plantadas no segundo semestre, uma vez que os fertilizantes utilizados até o momento já foram comprados. Enquanto os produtores brasileiros costumam adquirir fertilizantes a partir de maio, em outras partes do mundo, como os Estados Unidos, a situação é diferente; lá, a reação poderá ser mais imediata.
Aumento de custos logísticos
A logística também será afetada, uma vez que o Irã controla o Estreito de Ormuz, uma importante via de transporte não apenas de petróleo, mas também de fertilizantes. O fechamento dessa rota provoca um aumento nos custos de frete e seguros, o que se reflete não apenas nos produtos destinados ao Oriente Médio, mas em toda a cadeia de suprimentos global.
Exportações brasileiras comprometidas
As exportações de produtos agrícolas do Brasil, como frango e carne bovina, estão sendo impactadas diretamente. De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), as novas rotas de transporte são mais longas e custam mais. Com uma taxa extra já sendo aplicada por armadores de navios, o encarecimento se torna uma preocupação para os exportadores.
O Irã, importante cliente do Brasil, ocupou a 11ª posição em 2025 em termos de importações agrícolas, com o milho sendo um dos principais produtos. Há uma preocupação crescente sobre como a prolongação do conflito impactará as exportações brasileiras, dada a importância da região para os embarques destinados ao Sudeste Asiático e à China.