Pitaya transforma economia da pequena Sério no RS
O município de Sério, localizado no Vale do Taquari, Rio Grande do Sul, tem se destacado pela produção de uma fruta exótica que está revolucionando sua economia. Conhecida como pitaya, ou fruta-dragão, a produção local cresce a cada ano, culminando na realização da 3ª Feira da Pitaya, que acontecerá em breve e promete mostrar ao público as inovações do setor.
Atualmente, em Sério, quatro produtores cultivam cerca de 12 mil mudas de pitaya em mais de quatro hectares. O cultivo é orgânico e demanda um manejo cuidadoso, pois a polinização manual é fundamental para garantir a qualidade dos frutos. Paulinho José Aroldi, um dos pioneiros do cultivo, explica que o processo envolve a coleta de pólen e a aplicação em cada flor, uma tarefa que normalmente seria realizada pelas abelhas. “Se polinizasse manualmente, reduziria bastante a qualidade e o tamanho do fruto”, afirma Aroldi.
A prefeitura de Sério tem se esforçado para apoiar os agricultores na ampliação do cultivo. Incentivos como subsídios para mudas e sistemas de irrigação, além de assistência técnica que abrange desde a análise do solo até o planejamento do plantio, têm sido proporcionados. De acordo com as autoridades locais, isso não apenas visa aumentar o número de produtores, mas também fortalecer o título de “terra da pitaya”, reconhecido por lei estadual.
Entretanto, os desafios não são poucos. A variação climática do Rio Grande do Sul, que pode levar a anos de seca seguidos de períodos de chuvas intensas, exige resiliência dos agricultores. Ivan Bonjorno, extensionista da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), aponta a dificuldade nas condições climáticas como um teste constante para a produção. “Nos últimos anos, tivemos situações muito distintas. Um ano chuvoso e em outro, seca prolongada”, ressalta Bonjorno.
Além da venda da fruta in natura, a diversificação é uma das apostas de Sério. O município já conta com a elaboração de diversas iguarias, como geleias e sorvetes de pitaya, além do desenvolvimento de produtos inovadores como refrigerantes e até a busca pela produção de vinho e espumante da fruta, que seria o primeiro do mundo. O prefeito Moisés de Freitas destaca essas iniciativas, dizendo: “Hoje, já temos derivação da pitaya no refrigerante e estamos buscando o vinho e o espumante — que será o primeiro espumante mundial de pitaya, fabricado por nós”.
A feira, que chega à sua terceira edição, não apenas celebra a pitaya, mas também valoriza o trabalho dos agricultores locais e promove o entendimento sobre a importância desta fruta na economia da região. A fruta, com suas cores vibrantes nas tonalidades pink e roxa, não apenas embeleza a mesa dos consumidores, mas também traz sustento para os trabalhadores do Vale do Taquari.
Inspirados pelo sucesso do cultivo da pitaya, outros municípios devem observar Sério como um exemplo de como uma fruta exótica pode transformar a economia local e fomentar o desenvolvimento de uma produção agrícola diversificada e sustentável.