Unicamp demite professor por suspeitas de assédio sexual
A Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) anunciou a demissão de um professor do Colégio Técnico de Limeira (Cotil) devido a suspeitas de assédio sexual contra uma aluna adolescente. A informação foi confirmada por meio da Lei de Acesso à Informação, conforme documento da Comissão Processante Permanente (CPP) da instituição. Este caso marca um dos três processos administrativos instaurados na Unicamp nos últimos dez anos envolvendo acusações semelhantes.
O processo administrativo que levou à demissão do docente foi iniciado em 2025 e concluído no início de 2026, resultando na penalidade de demissão em decorrência da gravidade dos atos denunciados. Claudia de Souza Alface, presidente Administrativa do Núcleo Disciplinar da Unicamp, enfatizou que a medida foi adotada visando à segurança e bem-estar das alunas.
Além do caso do Cotil, há outra investigação em andamento relacionada a um docente acusado de assédio sexual, onde a vítima também é menor de idade. O levantamento de dados realizado pela universidade revelou mais dois casos de assédio ocorridos nos últimos anos. Em 2018, um professor da Faculdade de Odontologia foi suspenso por 90 dias após ser acusado de constrangimento sexual em relação a estudantes. Em 2024, um outro processo foi iniciado contra um docente de um colégio técnico, que segue em apuração.
Serviços de acolhimento e apoio
A Unicamp conta com serviços de Atenção à Violência Sexual (SAVS), que se dedicam ao suporte e acolhimento de vítimas dentro da comunidade acadêmica. O SAVS, implementado em 2019, oferece orientação sobre direitos, apoio psicológico e ajuda no encaminhamento de denúncias, mas não realiza sindicâncias ou investigações diretas. Existem ainda outras medidas de apoio, como mudanças de turma e ambiente, para assegurar a permanência segura dos alunos na universidade.
As denúncias que envolvem adolescentes seguem diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o que implica um processo de avaliação e comunicação com as famílias e, se necessário, com o Conselho Tutelar. As responsáveis pelo SAVS destacam a importância da denúncia para permitir que a universidade tome medidas rápidas e eficazes para proteger os estudantes e evitar a repetição de situações adversas.
"A denúncia interna à universidade é fundamental para que a comunidade acadêmica tenha consciência da situação e para que providências possam ser tomadas", afirma Tânia Marin Vichi Freire de Mello, diretora do Serviço de Assistência Psicológica e Psiquiátrica ao Estudante (SAPPE).