Lula cancela viagem ao Chile após convite a Flávio Bolsonaro
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou a alteração de seus planos e não estará presente na cerimônia de posse do novo presidente do Chile, José Antonio Kast, marcada para acontecer nesta quarta-feira. A decisão foi confirmada por uma fonte da Presidência e oficialmente atribuída a "motivos de agenda". No entanto, a mudança ocorreu apenas algumas horas após a divulgação da presença do senador Flávio Bolsonaro no evento.
Para representar o Brasil na cerimônia, Lula designou o chanceler Mauro Vieira. A agenda do presidente brasileiro, que costuma ser divulgada na noite anterior, foi publicada com considerável atraso. Nas últimas semanas, Flávio Bolsonaro se consolidou como um provável adversário político de Lula nas próximas eleições presidenciais, com as últimas pesquisas indicando um empate técnico a sete meses do pleito.
A presença de Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio e ex-deputado que atualmente reside em Texas, também está prevista para o evento, que contará com a participação da opositora venezuelana Maria Corina Machado.
Recentemente, Lula havia confirmado sua presença na cerimônia de posse de Kast, após uma reunião realizada entre os dois no último janeiro, durante o Fórum Econômico Internacional na América Latina e no Caribe, no Panamá. A reunião de uma hora e meia abordou diversos temas e, segundo Kast, "transcende qualquer diferença política ou ideológica, porque o que nos move é melhorar a qualidade de vida de nossos compatriotas".
A relação entre Lula e Kast foi vista como uma oportunidade de estreitar laços com líderes regionais, mesmo diante de diferenças ideológicas significativas. No entanto, a tentativa de Lula de manter um diálogo construtivo com seus vizinhos enfrentou obstáculos com líderes como Javier Milei, da Argentina, que mantém uma postura hostil em relação ao brasileiro.
O cenário político na América Latina tem se mostrado cada vez mais polarizado, com uma clara mudança à direita. Essa transformação foi evidenciada no último fim de semana, quando o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se reuniu na Flórida com vários presidentes latino-americanos de direita, enquanto os líderes de Colombia, México e Brasil, governados pela esquerda, ficaram de fora do encontro.
Apesar das divergências, Lula expressa a intenção de manter boas relações diplomáticas com aliados e opositores ideológicos, tendo recebido em Brasília presidentes de governos de direita de países como Paraguai, Equador e Panamá com normalidade.