Grammarly enfrenta ação judicial por uso indevido de identidades
A nova funcionalidade Expert Review da Grammarly, que integrou nomes de jornalistas e figuras literárias sem autorização, gerou polêmica e resultou em uma ação coletiva. O recurso, que visava oferecer conselhos de revisão para escritores, foi momentaneamente desativado após a repercussão negativa.
Segundo informações reportadas pela imprensa, a ferramenta utilizava nomes de renomados escritores, como o jornalista investigativo Julia Angwin e o autor Stephen King, sem consulta prévia aos mesmos. Angwin é a única membro oficialmente nomeada na ação judicial, que alega que a Grammarly “se apropriou” das identidades de centenas de jornalistas e autores para lucrar com a nova funcionalidade.
O processo argumenta que a prática fere a legislação vigente, especificamente o Código Civil da Califórnia § 3344(a)(1), que proíbe o uso do nome, voz ou imagem de uma pessoa para fins comerciais sem o seu consentimento. Embora não haja um pedido explícito de compensação financeira no documento, menciona-se que o valor em disputa ultrapassa US$ 5 milhões.
Reações à ferramenta e ao processo
No decorrer das discussões, Julia Angwin expressou sua desaprovação à ferramenta, destacando que ela não contribuiu positivamente para a escrita, mas parecia, na verdade, tornar o texto “pior”.
"Eu fiquei surpresa com o quão ruim isso era", declarou Angwin ao jornalista Miles Klee da Wired.
Após as críticas, Shishir Mehrotra, CEO da Grammarly, publicou um comunicado no LinkedIn onde comentou sobre a desativação temporária da funcionalidade. No post, ele reconheceu que a empresa não atendeu às expectativas:
"O agente foi projetado para ajudar os usuários a descobrir perspectivas e referências influentes relevantes para seu trabalho, além de proporcionar maneiras significativas para os especialistas construírem relações mais profundas com seus fãs. Reconhecemos que não atingimos esse objetivo."
Grammarly ainda não se pronunciou oficialmente sobre a ação coletiva e o processo segue em andamento. A sociedade agora discute os limites do uso de identidades alheias no mundo digital, especialmente em ferramentas que utilizam inteligência artificial.
Esta controvérsia destaca a necessidade de um debate mais amplo sobre direitos autorais e o consentimento no uso de nomes e identidades em aplicações tecnológicas, o que pode ter implicações significativas para o setor de tecnologia e o jornalismo no futuro.