Estudante haitiana denuncia preconceito em embarque de voo
Ruth Lydie Joseph, uma haitiana que reside no Brasil desde 2020, viveu uma experiência angustiante ao tentar embarcar em um voo da companhia aérea Latam com destino a Praga, na República Tcheca, no último dia 10. Ruth, que cursa relações internacionais na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila) em Foz do Iguaçu, foi vítima de ações que a deixaram confusa e desamparada, levando a situação a ser acompanhada pelo Centro de Direitos Humanos e Cidadania do Imigrante (CDHIC).
Com um visto humanitário e parte de um programa de mobilidade acadêmica, Ruth se dirigiu ao aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, para embarcar em um voo que tinha uma escala em Frankfurt. No entanto, ao tentar despachar suas bagagens, um segurança da Latam tomou as etiquetas de suas malas e começou a questioná-la sobre sua viagem. "Ele me pediu o passaporte e a identidade. Perguntou o que eu estava fazendo no Brasil e quanto tempo eu morava aqui. Fiquei confusa", explicou Ruth. Segundo ela, o segurança parecia insatisfeito com suas respostas e resolveu confiscar suas passagens, afirmando que ela não tinha o perfil adequado para viajar.
O incidente não só impediu Ruth de embarcar em seu primeiro voo como também levantou questões sérias sobre o tratamento a imigrantes e a discriminação racial. O CDHIC, que avaliou a gravidade da situação, ressaltou a necessidade de informações mais claras e assistência adequada em casos como o de Ruth. A advogada do CDHIC, Kathelly Menezes, comentou: "Não cabe a uma companhia aérea estabelecer juízos subjetivos sobre quem teria ou não 'perfil' para entrar em um determinado país."
Piorando a situação, após ser informada de que havia perdido o voo, Ruth tentou remarcar sua passagem para um voo no dia seguinte, mas mais uma vez se deparou com dificuldades. Apesar de ter um novo bilhete, a falta de assistência no processo de embarque resultou na perda dessa segunda oportunidade. Ruth descreveu a experiência: "O bilhete dizia que o voo decolaria às 5h40, mas o avião realmente partiu às 5h10. O processo de embarque demorou e me entregaram o bilhete com muito atraso."
Após a assistência do Centro de Direitos Humanos, Ruth foi remarcada para um novo voo, que tem previsão de partida na próxima segunda-feira, dia 16, com escala em Madri. No entanto, a situação expõe questões mais amplas sobre o tratamento de pessoas migrantes e a possível discriminação que enfrentam ao tentarem se deslocar pelo mundo.
A companhia aérea Latam, por sua vez, declarou em nota que a cliente foi realocada para um novo voo e que está em contato com Ruth para garantir a melhor solução. A empresa afirmou que atua de acordo com os regulamentos das autoridades nacionais e internacionais, embora o caso tenha levantado preocupações sobre a forma como as companhias aéreas tratam seus passageiros, especialmente aqueles que pertencem a grupos vulneráveis.