Atraso na Indicação de Jorge Messias ao STF Gera Tensão Política
A indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta um atraso recorde de 115 dias para o envio ao Senado, após seu anúncio pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Enquanto a formalização não ocorre, a relação entre o Planalto e o Senado se torna cada vez mais tensa, afetando as articulações políticas do governo.
Desde que Lula anunciou a intenção de indicar Messias para a vaga deixada pela aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, o Palácio do Planalto não formalizou a escolha, processo necessário para que a indicação siga para a análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. A demora já supera os prazos das demais indicações recentes e evidencia um distanciamento político entre o governo e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
No passado recente, o intervalo entre o anúncio público da indicação e o envio da mensagem presidencial variou de zero a 21 dias. No entanto, no caso de Messias, o prolongamento da espera é motivo de preocupação, não apenas para aliados, mas também para analistas da cena política.
- Em 20 de novembro de 2025, Lula anunciou a indicação de Messias.
- O presidente levou 11 dias para formalizar a indicação de Cristiano Zanin.
- A maior demora anterior foi de 21 dias no caso de André Mendonça durante o governo Jair Bolsonaro.
Senadores relatam que Messias tem reduzido sua presença no Congresso nas últimas semanas, o que pode ser interpretado como uma estratégia de contenção até que sua nomeação seja oficializada. No entanto, antes do início do ano legislativo, ele buscou apoio, realizando visitas a gabinetes e reuniões com parlamentares.
O desencontro entre o palácio e o Senado se intensificou ao longo da espera. Informações de aliados de Alcolumbre indicam que, no final do ano passado, a promessa de um calendário para análise da indicação não foi cumprida devido à falta de envio da mensagem presidencial. Isso levou alguns membros do Senado a considerar a situação um sinal de desorganização política, ampliando a fissura entre o legislativo e o executivo.
Enquanto o governo ensaia articulações para resolver o imbróglio, interlocutores de Alcolumbre prevêem a necessidade de uma reunião entre o senador e Lula para restabelecer um canal de diálogo eficiente. Recentemente, a expectativa é de que o assunto da indicação também entre na pauta da conversa.
Os aliados de Messias afirmam que a mensagem presidencial será enviada “nos próximos dias” e que a ausência do advogado-geral da União foi uma medida deliberada, condicionada às articulações finalizando na espera pela formalização. Com relatos sobre Messias ter contatado 75 dos 81 senadores desde o anúncio de sua candidatura, sua estratégia parece ser a de manter um âmago de apoio que espera se solidificar após a oficialização.