Chile se aproxima a Estados Unidos na concorrência por minerais críticos
O Chile, conhecido por possuir algumas das maiores reservas de lítio do mundo, deu um passo significativo em direção a uma parceria estratégica com os Estados Unidos. O presidente José Antonio Kast, que assumiu o cargo em março, firmou uma declaração conjunta com o subsecretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, para estabelecer consultas bilaterais sobre recursos estratégicos.
Com isso, o país sul-americano se junta à crescente lista de nações que buscam fortalecer suas relações com Washington, especialmente no contexto atual, onde há uma intensa disputa geopolítica envolvendo a China. Os EUA visam garantir acesso a recursos essenciais para sua autonomia estratégica, segurança nacional e a transição energética, tentando diminuir a dependência nas cadeias de suprimento controladas por Pequim.
Recentemente, a Argentina também firmou um acordo com os EUA para promover o processamento de minerais essenciais, reflexo da nova estratégia americana em relação à América do Sul.
O chanceler Francisco Pérez Mackenna esclareceu que o documento assinado pelo Chile não é um acordo formal, mas uma declaração que visa iniciar discussões sobre o assunto. Ele enfatizou que o desenvolvimento de mecanismos para fortalecer as cadeias de fornecimento dos minerais críticos será um dos pontos principais das consultas.
Segundo um comunicado do Ministério das Relações Exteriores chileno, as consultas devem abordar a identificação conjunta de projetos de interesse que ajudem a reparar lacunas nas cadeias prioritárias, além de explorar opções de financiamento, tanto privadas quanto estatais, para projetos de investimento nos minerais críticos.
A primeira consulta está agendada para ocorrer nas próximas duas semanas e visa encontrar um acordo sobre essas questões e formalizar um mecanismo de cooperação entre os dois países.
No entanto, a notícia levantou várias perguntas. Juan Carlos Guajardo, diretor da consultoria chilena Plusmining, expressou sua preocupação sobre quais minerais estariam realmente incluídos nas discussões, já que isso não foi detalhado no comunicado oficial.
A demanda global por esses recursos é impulsionada pela necessidade crescente da indústria de defesa, pela eletrificação e pelas novas tecnologias. Em novembro passado, os EUA expandiram sua lista de minerais críticos para 60 elementos, incluindo cobre, prata, urânio e lítio, entre outros.
O Chile está explorando há algum tempo maneiras de diversificar sua matriz produtiva além do cobre. Em janeiro, o então governo de Gabriel Boric lançou a Estratégia Nacional de Minerais Críticos, uma abordagem proativa para atender à crescente demanda desses insumos, ressaltando a identificação de 14 minerais que poderiam ser viáveis para desenvolvimento no país.
A assinatura do mecanismo de diálogo com os EUA ocorre em meio a tensões entre as administrações de Kast e Boric. Recentemente, o Departamento de Estado dos EUA revogou os vistos de um ministro do governo anterior sob alegações de que ele comprometia a segurança regional, em um episódio relacionado a um projeto de cabo submarino de fibra óptica apoiado pela China.
Com essa nova situação, Kast se mostrava mais cauteloso ao abordar as relações com a China. Em conversas com representantes americanos, ele sugeriu acelerar a construção do cabo submarino Humboldt, uma colaboração entre o governo chileno e o Google, destacando que a prioridade deve ser dada a esse projeto antes do iniciado pela China, que também está em andamento.
Kast, ideologicamente alinhado a Donald Trump, busca solidificar sua conexão com Washington. Ele participou recentemente de uma cúpula em Miami com líderes da direita latino-americana, com foco em temas como o combate ao narcotráfico e a imigração, além de diminuir a influência chinesa na região.
Com essas movimentações, o Chile se coloca na linha de frente de uma nova era de competitividade internacional por recursos essenciais, refletindo a crescente importância das relações econômicas e estratégicas na geopolítica contemporânea.