Conflito no Oriente Médio reanima inflação e impacta o cotidiano dos consumidores
A escalada do conflito entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã está reativando a inflação na Europa, especialmente entre os consumidores já pressionados por aumentos nos preços da gasolina, eletricidade e no setor de habitação. Este novo cenário econômico reflete um retorno a práticas de controle de gastos, similares às vividas durante a crise do petróleo dos anos setenta, quando o abastecimento era incerto e os preços nas bombas de combustível disparavam.
No contexto atual, a guerra tem levado os consumidores a tomarem decisões apressadas, como o abastecimento antecipado, já que muitos acreditam que os preços no futuro podem ser ainda mais altos. Antes do início das hostilidades, encher um tanque de gasolina na Europa custava em média 81 euros, mas já superou os 88 euros, e o diesel também registrou aumentos significativos, passando de 78 para mais de 90 euros.
O especialista Carsten Brzeski, chefe da área de Macro da ING, sugere que a mudança de hábitos, como dirigir menos, talvez não seja suficiente para reduzir o gasto em combustíveis. Isso porque as variações de consumo observadas durante a pandemia não são esperadas para este novo cenário, onde o preço da energia se tornou uma preocupação central, impulsionando o custo de vida e a inflação.
Impacto nos mercados de energia e crescimento econômico
A batalha econômica nos mercados de energia se intensifica com os bloqueios estratégicos, como o estreito de Ormuz, que é responsável por 20% do petróleo global. A interrupção do fornecimento gera previsões alarmantes, como a possibilidade do barril de petróleo alcançar 200 dólares. O aumento dos preços também deve ser refletido em outros setores, como o de eletricidade, com os consumidores voltando a usar eletrodomésticos em horários menos onerosos para evitar picos de preços.
As previsões para o índice de preços ao consumidor (IPC) já apontam para um aumento superior a 3% na Espanha, causado principalmente pela elevação dos custos da energia. Esta situação tende a apertar ainda mais o orçamento familiar, especialmente para aqueles com hipotecas atreladas ao euríbor, que já registrou um aumento significativo, atingindo níveis superiores a 2,5%. Este fator pode resultar em novas dificuldades para quem deseja comprar imóveis.
Perspectivas e desafios da economia europeia
Os bancos centrais, que se mostravam otimistas quanto ao controle da inflação, agora enfrentam a necessidade de repensar suas estratégias monetárias. Em um contexto onde a inflação pode ultrapassar os 4% na primavera, dependendo da evolução dos preços da energia, as autoridades estão atentas para evitar um círculo vicioso de salários em alta que recrudesçam os preços.