Conflito no Oriente Médio: A infraestrutura energética sob ataque
O conflito entre o Irã e forças aliadas, incluindo Israel e os Estados Unidos, atinge uma nova fase, com a infraestrutura energética do Oriente Médio se tornando o novo campo de batalha. Recentemente, o Irã atacou a maior planta de processamento de gás em Catar e diversas refinarias na região, como resposta ao bombardeio israelense na plataforma Pars Sur.
Na madrugada do dia 2 de março, as instalações em Ras Laffan, no Catar, que é o maior centro de processamento de gás natural liquefeito do mundo, sofreram danos significativos. O ataque provocou incêndios de grandes proporções e levantou preocupações sobre uma possível escassez no fornecimento de gás no mercado europeu.
A infraestrutura de extração de hidrocarbonetos do Irã também se tornou um alvo, com várias instalações bombardeadas em um contexto de retaliação mútua que pode fazer os preços da energia dispararem. A região produz cerca de um terço do petróleo global e um quinto do gás natural, o que aumenta o risco de um impacto econômico em escala global.
As táticas de combate do Irã envolvem o estrangulamento do estreito de Ormuz, uma importante via de trânsito para hidrocarbonetos, para aumentar a pressão sobre os agressores. O ataque mais recente à terminal de carga petrolífera na ilha de Jarg, realizado pela aviação dos EUA, foi respondido pelo Irã, que atacou instalações em território vizinho, incluindo campos gasíferos e refinarias.
As consequências diretas dessa escalada de conflitos se refletiram nos preços de referência do gás na Europa, que subiram mais de 30% em um único dia, levando o Banco Central Europeu a alertar sobre o impacto da guerra na inflação e na economia regional.
Além disso, o ataque à Cidade Industrial de Ras Laffan provocou um dano considerável à capacidade de exportação de gás do Catar, com estimativas de que possa haver uma redução de 17% na produção nos próximos cinco anos, resultando na necessidade de cancelamento de contratos de longo prazo com países como Itália, Bélgica, Coreia do Sul e China.
No decorrer da manhã de quinta-feira, as refinerias de Mina Abdulá e Mina al Ahmadi, no Kuwait, também foram atacadas por drones iranianos, provocando incêndios, mas sem reportar danos significativos. A refineria de Haifa, a principal de Israel, também foi atingida por mísseis.
Em resposta, ministros de Relações Exteriores de doze países muçulmanos se reuniram em uma cúpula de emergência para discutir a escalada do conflito, exigindo que o Irã cessasse imediatamente seus ataques e respeitasse o direito internacional. O comunicado reforçou que os ataques contra a infraestrutura civil não são justificáveis, embora omitisse referências diretas aos EUA, citando Israel apenas em contexto de agressão a seus vizinhos.
Irã, consciente de sua inferioridade militar em relação a Israel e aos EUA, parece ter decidido infligir o máximo de dano possível na região, buscando pressionar a comunidade internacional para interromper os ataques em seu território. A Organização Mundial do Comércio emitiu um alerta sobre os riscos à segurança alimentar global, devido ao aumento dos custos energéticos e interrupções nas cadeias de fornecimento, especialmente pelo estreito de Ormuz, que é um canal crítico para o tráfego de fertilizantes.
Ação concreta já foi tomada para lidar com a crise. O governo do Catar expulsou os representantes militares da embaixada do Irã em Doha, marcando um claro sinal de descontentamento com os recentes ataques. Além disso, houve um esforço para diversificar as rotas de exportação de petróleo da região, com proposta de extensão de oleodutos para facilitar o escoamento da produção iraquiana.
Os acordos estão sendo estabelecidos entre o governo central do Iraque e o governo regional do Curdistão iraquiano para reativar o oleoduto Kirkuk-Ceyhan, visando aumentar gradualmente a produção de petróleo e, assim, garantir uma nova fonte de receita ao mercado internacional.