Cuca se posiciona sobre feminicídio e atos de violência contra a mulher
O novo técnico do Santos Futebol Clube, Cuca, fez declarações contundentes sobre seu compromisso com a causa do feminicídio no Brasil, comentando a repercussão negativa de um caso envolvendo seu passado. Durante sua apresentação, na última sexta-feira, ele ressaltou a importância de sensibilização e ação em prol dos direitos das mulheres.
Cuca, que foi jogador de futebol e se tornou treinador, enfrenta um passado complicado. Em 1989, foi condenado à revelia na Suíça por coação e ato sexual com menor de idade, uma condenação que foi anulada em 2024. O treinador afirmou que, na época do incidente, estava ciente do ocorrido, mas não deu a devida importância ao assunto e alegou ignorância sobre o julgamento.
"Entendo as pessoas que ficam decepcionadas, elas vivem das notícias, mas peço que me entendam também. Fiz tudo o que pude dentro da condição ideal. O importante hoje não sou eu, é a causa", disse Cuca, sinalizando sua evolução na compreensão da gravidade do assunto.
O treinador enfatizou que tem trabalhado ativamente em diversas iniciativas que visam educar e apoiar mulheres em situação de vulnerabilidade. "Hoje, faço palestras e promovo cursos. Ajudei a reunir equipes de futebol, respondi por um papel ativo na inclusão de mulheres nas arbitragens e discuti temas relevantes com clubes variados".
Cuca também compartilhou suas experiências e o envolvimento com entidades que apoiam mulheres carentes e sobreviventes de abuso. "A cada dia, cinco mulheres são vítimas de feminicídio no Brasil. É uma estatística alarmante e temos que agir para que isso diminua".
O ex-jogador demonstrou estar aberto ao diálogo com aqueles que ainda se sentem incomodados com sua presença no futebol. "Se um dia quiserem me conhecer, conversar, ver o que faço e por quem eu faço, estou disponível".
Cuca concluiu ressaltando que a luta contra o feminicídio é de todos e que é responsabilidade de todos, especialmente dos homens, se envolver nesse processo e buscar a mudança.
"Precisamos agir antes que algo aconteça. O que pudermos fazer para diminuir o feminicídio, temos que fazer".